Procreative Dinner: food+science+art breaking big taboos

Dêem uma olhada nisto, com calma. Primeiro o vídeo:

 

É um happening-jantar realizado em Geneva por Prune Nourry e que permeia o mundo da arte, da ciência e da gastronomia. Ele convidou o chef Serge Labrosse e mais um cientista especializado e juntou a sua arte para preparar um “jantar procreativo” com a idéia de buscar o “bebê à la carte”. Encenado através de um processo clínico, com todas as técnicas da procriação assistida, este jantar parece um tanto quanto bizarro. Me digam se o vídeo não causa algumas sensações estranhas, como quando misturam coquetéis de esperma com óvulos deliciosamente saboreados.

Prune mexe aqui com o futuro e com as questões perfurantes que teremos que lidar, trazidas pelo avanço das biotecnologias: os costumes, as éticas e a moral. Quer queiram ou não tem um monte de cientista lá fora tentando encontrar a fórmula para criar o ser humano perfeito, assim como tem um monte de jovem chef tentando ser o melhor de todos. É normal.

O que não é normal aqui, e que foi bem alcançado pelo artista, é a sensação da antropofagia, da elite que se come só porque pode fazer isso, da comida, sexo e vida/morte. É como comer em um hospital, só médico consegue e porque é obrigado, mas ninguém gosta.

Enfim, este happening-jantar é esteticamente bonito, cientificamente interessante, e pelas caras dos comensais-papais a comida parece que estava saborosa. Mas de qualquer forma a coisa aqui pega pelo estômago, não pega?

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Dr. Sérgio de Paula Santos e a Academia Brasileira de Gastronomia

Em outubro de 1997, durante uma viagem de férias, fiz uma parada em Madrid para encontros profissionais. Em um deles tinha um endereço e um nome em mãos, mas não conhecia a pessoa que me receberia, sabia somente que era o presidente da Real Academia Espanhola de Gastronomia – um nome pomposo, pensei. Chegando lá, enquanto lustravam seus sapatos, um senhor de baixa estatura, cabelos brancos e voz segura me recebeu. Eu não sabia o quanto ele era importante no mundo da gastronomia (entre outros mundos). Era Rafael Ansón. Eu tomei café, ele nada.

Meu propósito no encontro era apenas diplomático, eu representava na época a Abresi – associação de turismo e gastronomia ligada aos sindicatos patronais no Brasil, e queria lhe convidar para vir a São Paulo, algo do tipo “um dia destes, quando der, se o senhor puder”. Ele, ao contrário, enxergou na minha visita uma boa oportunidade de dar um empurrãozinho ao projeto que tinha de expansão das Academias de Gastronomia pela América Latina. Me contou do grupo internacional das academias e me disse que, se eu me interessasse pela idéia, ao chegar ao Brasil deveria procurar duas pessoas de sua recomendação que em ocasiões anteriores já haviam tido conversa similar com ele em Madrid: Carlos Aldan de Araújo e Sérgio de Paula Santos.

Depois de 3 ou 4 meses que eu havia retornado a São Paulo, seria final de janeiro de 1998, resolvi dar chance à idéia que me foi transmitida em Madrid e liguei para os dois nomes recomendados. Ao mencionar nosso amigo em comum, o espanhol, ambos me atenderam prontamente. Marcamos então um encontro entre os três: Aldan – à época vice-presidente do WTC-Club, Dr. Sérgio – otorrinolaringologista de profissão e enófilo de grande prestígio, e eu, para discutirmos a idéia da fundação da Academia Brasileira de Gastronomia conforme nos havia sido sugerido em Madrid.

A idéia pareceu muito boa aos três e resolvemos levá-la adiante. Lembro que Dr. Sérgio, com então 68 anos de idade e uma grande notoriedade no mundo dos vinhos e da boa mesa, me disse: “Enio, foi você quem fez o esforço inicial de nos reunir, você deveria então ser o presidente da Academia”. Obviamente isto foi apenas uma gentileza da parte dele, mas eu, que na época tinha só 29 anos e apenas começava a beber por conta própria, confesso que o susto ao perceber a grandeza deste seu gesto foi o que me deu, neste momento de gênese, a medida exata da enorme responsabilidade do que estávamos tratando naquela conversa: a importância de uma Academia de Gastronomia. Claro, o bom senso prevaleceu e unanimemente escolhemos Dr. Sérgio como nosso primeiro presidente e Aldan como vice. Vários encontros, conversas e negociações internacionais depois, e em março de 2001 fundávamos oficialmente a ABG em um almoço solene no antigo restaurante Infinito, o qual juntos conduziram Dr. Sérgio e Rafael Ansón.

Desde então Dr. Sérgio veio nos orientando na formação do grupo da Academia, sempre com suas sábias e inconfundíveis sugestões. Mesmo quando o grupo quase não se reunia, por períodos de inatividade que chegamos a ter, ele nunca questionou a idéia da Academia ou desistiu de sua fundação. Ele sempre foi muito claro no que pensava, independente de agradar ou não aos ouvidos do interlocutor. Com Dr. Sérgio conversávamos sobre as questões éticas e de gestão da ABG, sobre a mesa brasileira e sua história e sobre o perfil dos membros a serem convidados para os primeiros passos da nova Academia, e ficávamos rendidos pela clareza e forma sábia como ele nos sugeria alguma ação ou tipo de conduta. Era ele quem guiava. Seus gestos de gentileza somados a uma pitada de humor provocante sempre foram sua marca em nossas reuniões.

Um de seus fascínios pessoais era a sua notável cultura histórica, adquirida em seu permanente hábito da busca por documentações e registros nas bibliotecas e livrarias de todo o planeta. Era um pesquisador nato. Por exemplo, em setembro do ano passado tivemos a oportunidade de fazer uma viagem à Sevilha para um encontro de fundação do grupo ibero-americano de academias. Sua esposa, Sra. Marina, também o acompanhou na viagem. Lá participamos de um jantar espetacular e único realizado no centro da Plaza de Toros de la Real Maestranza de Sevilha e preparado por 20 grandes chefs de cozinha de todo o mundo para apenas 100 convidados. Em uma cerimônia realizada meia hora antes do grande jantar, nos salões de La Maestranza, Dr. Sérgio foi aclamado vice-presidente da Academia Ibero-Americana de Gastronomia. Porém, com uma agenda apertada nos 3 dias que por lá estivemos, na verdade ele não via a hora de sair das reuniões, almoços e jantares para passar algumas horas dentro do Arquivo Geral das Índias no centro de Sevilha, principal arquivo de toda documentação sobre as colônias ibéricas. Era lá que ele queria estar. Em outra ocasião, quando eu morava em Florença, fiz um passeio de cerca de 30 km com minha bicicleta para chegar a uma editora fora da cidade e fotocopiar uma revista muito antiga sobre gastronomia que ele me havia pedido por telefone. Sua curiosidade histórica era enorme.

Infelizmente nos últimos 4 meses ele estava inquieto com a “prisão” hospitalar. Eu tive que me conter para não lhe telefonar muito, pois apesar da necessidade de seguir falando com ele dos assuntos da Academia logicamente eu não poderia sobrecarregá-lo. Fiz-lhe minha última visita na Sexta-feira Santa, ele parecia muito bem e estava muito ativo, e ainda após isso me telefonou um par de vezes. Na última vez que falamos, 15 dias atrás, me disse que deveríamos ter um cuidado especial na Academia ao tratar dos vinhos brasileiros, “temos que ajudar a promovê-los”, recomendou com certeza.

Ficaremos assim com seus diversos livros publicados, com suas belas memórias e com sua presença marcada na luz que nos jogou para traçar os caminhos da nascente Academia Brasileira de Gastronomia, mas teremos que nos acostumar às nossas reuniões sem ele. Dr. Sérgio nos deixou na última terça feira 04 de maio, às 23 horas, dois dias antes de completar 81 anos de idade, e não há dúvida, em nenhum de nós, que muito sentiremos a sua imortalidade.

Viva Sérgio!

Dr. Sérgio, na cabeceira da mesa da Academia, e ao seu lado sua esposa Sra. Marina, em jantar da ABG no restaurante Dalva e Dito em 08 de setembro de 2009.

O que você faria para provar seu amor pela comida?

Tatoos?

(não convide este cara para um churrasquinho...)

Veja aqui + 12 food tatoos..

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E você, já está fazendo sua parte?

Rock and Food

Aqui está uma das coisas mais legais que já vi neste universo food and pop que adoro:

A banda One Ring Zero e seu The Recipe Project.

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Entrem no link acima porque vale muito a pena, é genial.

Tá tudo explicado lá. E achei graças à Cíntia Bertolino, que achou isto antes e publicou aqui no seu blog no Paladar.

E as músicas são ótimas!! Difícil deve ser ouvir na cozinha enquanto estiver preparando outra receita!

Have fun!

(O mais “”próximo”” que já vi foram as gêmeas de Minas Gerais cantando em clips para a TV, que você vê aqui no meu post Delícias Cantadas.)

Mês corrido

Nota pessoal:

Neste mês não consegui muito tempo para me dedicar ao blog digeat…

Depois de 50 dias trancafiado, dia 08, terça passada, enviei finalmente minha tese para a Universidade de Florença, “La transformazione delle identità nell’era dell’informazione”. ufa… Defesa no dia 24, lá na terra de Dante.

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No mesmo dia fizemos um importante jantar da Academia Brasileira de Gastronomia, o qual vou relatar mais prá frente, contando mais sobre a ABG.

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E nesta semana estamos organizando a Arena Gastronômica Equipotel, que vocês podem ver aqui no meu rápido vídeo amadoríssimo, e que também vou relatar melhor assim que o evento terminar.

Na semana que vem estarei em Sevilha, na Espanha, para o evento Andalucía Sabor e para uma reunião da Academia Internacional de Gastronomia. Haverá ainda um jantar comandado pelo time dos melhores chefs espanhóis (Adrià incluso), nada mais nada menos que dentro da Arena de Toros de Sevilha. Vou tentar filmar e fotografar prá mostrar como vai ser.

Será que vão servir as orelhas dos touros?

Quero descansar um pouco…!

abs…..

A culinária como arma de guerra!

Sim, isto mesmo, e o diretor eslovaco Peter Kerekes foi atrás exatamente das histórias das cozinhas estratégicas de diversas guerras, desde a segunda mundial, passando pela Tchetchenia e a guerra dos Balcãs, baseando sua história em 11 receitas que alimentaram milhares de soldados, além de, principalmente, elevar a sua moral através de pratos do orgulho nacional.

Daí saiu o filme Cooking History, que foi lançado no Festival de Cinema de Sarajevo, neste mês.  O tom irreverente do filme mostra as diferenças entre russos, alemães, franceses, croatas, sérvios e demais europeus que se envolveram nas guerras retratadas, suas diferentes visões sobre o papel das suas comidas na guerra, e diversos deliciosos recheios com as histórias dos cozinheiros do front.

Esta foi uma dica de minha antenada amiga autora do blog Popkitchen.

Além dos moedores de carne e das rosadas faces dos eslavos festivos até na guerra, dá uma olhada na história da cozinha que explodiu em goulash no trailer abaixo… é hilária:)…

…e é a cozinha como você nunca viu!