rapido num fim de tarde

Meio afastado nos ultimos dias, depois de um fim de semana muito aconchegante e uma semana com boas noticias e bons encontros com pessoas queridas, mas que nao escrevi muito. Mas em conpensacao descobri tambem este blog que recomendo para todos interessados em universos real/virtual, e muuuitas outras coisas a respeito: www.desvirtual.com. Nada a ver com gastronomia, mas em termos, pois poderiam haver diversas conexoes, mas isto pra depois.

…como tb algumas coisas que vao mudar aqui no blog logo mais… e que avisarei..

abs

SURPRESA DE SHANGHAI

 

 Foi folheando uma daquelas revistas de dicas para turistas, distribuídas nos hotéis, que  descobri o DA MARCO.

 Realmente uma (boa) surpresa encontrar em  Shanghai um restaurante tão especial    quanto aquele. A comida muito boa, o preço SUPER razoável, mas o que mais me  encantou lá foi como ele reproduz uma atmosfera italiana no meio  da… CHINA! Um  cantinho “familiar” para os ocidentais com saudade de casa.

 Local charmoso, um tanto barulhento mas, muito aconchegante – assim como na Itália  :). Some a isso um bem-humorado chef de cozinha, Marco… e está pronta a receita de  sucesso deste simpático restô!

 Como sugestão: carpaccio de atum de entrada, qualquer prato com frutos do mar e de  sobremesa… pannacota!

 Buon appetito!

Delícias Cantadas

Para quem não viu esta é uma fantástica série de 5 vídeo-receitas chamada “Delícias Cantadas – Minas Gerais”, no ar no Canal Futura desde dezembro, espalhados na grade entre um programa e outro.

São as cantoras gêmeas mineiras Célia & Celma, que cantam receitas da culinária de Minas Gerais em ritmos brasileiros variados, com uma produção bem original.

Vale muito a pena ver, é sensacional e é a nossa cara (quer dizer, aquela que a gente quase não se lembra mais que tem)…

 

Tutu à Mineira:

 

Canjiquinha:

 

Vaca Atolada:

 

Frango com Quiabo:

 

Bolo de Banana:

 

O que deveria é haver muito mais ‘canais futura’ e ‘tvs cultura’ na nossa televisão, pois tá bem difícil encontrar a nossa cultura refletida na programação das tvs de hoje…

 

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Um mundo felliniano

Duas matérias que foram publicadas na semana passada chamaram a minha atenção.

No Reino Unido começaram a caçar esquilos cinzas para comê-los e não deixarem que acabem com os esquilos vermelhos, que são os nativos da região. Os esquilos cinzas estão sendo caçados aos montes, nos campos e até mesmo nos parques de Londres, e vendidos aos restaurantes e mercados, que os revendem rapidamente pela grande demanda que surgiu com a notícia do aumento da sua população.

Os esquilos cinzas, provenientes da América do Norte, se multiplicaram aos milhares e, além de causar um desequilíbrio no mundo dos esquilos por sua excessiva quantidade, transmitem um virus fatal aos esquilos vermelhos, que estão sendo dizimados. Tudo bem, é uma tentativa de preservar uma espécie, mas tem que comer? So, let’s eat squirrels! Coitadinhos…

squirrel

Até que são fofinhos estes pobres que acabarão nas panelas inglesas…!! (fotos: NYT e Getty Images)

Veja aqui a matéria completa dos esquilos no NYTimes.

Já nos EUA uma lagosta de 140 anos foi retirada de seu aquário em um restaurante de New York e solta no mar do Maine para sua preservação. A lagosta que foi apelidada de George pesa 9kg. O restaurante afirmou que não cozinharia esta velha senhora, mas a usava somente para atrair clientes. A iniciativa do restaurante teve o empurrãozinho do PETA (People for the Ethical Treatment of Animals). E uma curiosidade que pesquei na wikipedia: lagostas possuem o que se chama de “negligência à senescência“, ou seja, podem viver indefinidamente!! (e de repente morrem). Sua idade é medida pelo peso. Se esta pesava 9kg e tinha 140 anos, a maior lagosta já encontrada foi justamente na Nova Escócia e pesava 20,15kg – e não diz lá a sua idade, mas por regra de 3 ela deveria ter a tenra maturidade de 313 anos (não entendo nada de lagostas vivas por isto esta conta é só uma suposição).

the old lobster and the sea... (parafraseando)

The old lobster and the sea… :) (foto: AP e Estadão)

Veja aqui a matéria completa da lagosta na BBC Brasil.

Nunca comi esquilos, mas adoro lagostas. E assim como outros animais miúdos, como rãs e perdizes, imagino que a carne destes peludinhos deve ser saborosa também. Os esquilos já tiveram várias épocas em que frequentaram as panelas, às vezes mais em alta e às vezes mais em baixa, mas nunca foram comuns como iguaria.

Mas não dá para negar que uma questão inocente aparece aqui: porque os esquilos fofinhos são mortos e comidos e a lagosta esquisitona recebeu um indulto se existem várias lagostas velhinhas por aí também?

NYT)

Squirrel Terminator (foto: NYT)

Ok, não tenho nada contra a libertação da lagosta e nem contra a comilança dos “malvados” esquilos cinza, mas será que se fossem os britânicos esquilos vermelhos que estivessem acabando com os americanos esquilos cinzas os ingleses comeriam os seus próprios esquilos com tanto gosto assim? E será que os dirigentes do PETA não comem nunca uma lagostinha?

Não sei, mas me dá uma sensação que é tudo meio engraçado, meio ridículo, ou meio exagerado. A comédia humana que não se esgota jamais, uma mistura de Fellini com algo que disse Borges – “El hombre es un experimento que no resultó”. Enquanto uns ficam tentando salvar tudo com artifícios meio inocentes soltando lagostas velhinhas no mar, outros ficam preocupados em matar tudo e colocam suas botinhas de couro cano alto para sair disparando contra esquilos… e nós aqui, meio glutões e meio gourmets, ficamos só olhando e comendo.

E no fundo ninguém está nem aí. Eis a humanidade.

E você? Mataria, comeria ou libertaria na natureza?

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Cuisine concrète (?!)

Vivo tentando ligar gastronomia com os demais sentidos, estudo até comunicação experiencial há alguns anos (que não existe ainda conceitualmente), faço eventos de gastronomia e fico tentando imaginar cada vez mais como “fisgar” o público por todos os sentidos, enfim… e ainda por cima estas coisas viraram moda de 1 ou 2 anos prá cá e agora todo mundo fala um pouco disto, sensações, experiências, etc.

Eu estou começando a achar que na verdade é tudo bobagem, ou seja, não dá muito prá ir além do que a comida nos proporciona. Tive uma real experiência “hiper sensitiva” quando fui jantar no El Bulli, realmente fantástico, mas tudo bem, era só o palato reagindo, nada de “sensorialices”.

Um tim-tim com boas taças de cristal, um bom aroma da cozinha regional, uma soneca depois de uma bela feijoada, um bom papo à mesa e um prato feito por alguém que se ama, acho que é a isto que se resume os demais sentidos ao se falar em experiências sensoriais gastronômicas. Mas ainda estou pesquisando.

E aí, de repente, topo com este vídeo aí abaixo. Um casal de sevilhanos que inventou um concerto de “cuisine concrète”, com sons tirados dos utensílios durante o ato de cozinhar. Poderia até dar certo, talvez tenha faltado um bom músico, ou sei lá, talvez seja eu que não esteja muito ligado nestes sons bizarros mesmo. Mas o fato é que a coisa pode até ser interessante, neste caso aqui talvez mais pela invencionice do que pela mistura (afinal se a música for dura como esta o prato certamente não vai ficar bom), e ainda que bizarra esta parece ser uma performance artística séria da moça. Vale pela experiência de “alguém faz isto também”. Mas dêem uma olhada, se encontrarem algo que seja muuuiiito bom (o que eu não vi :), me avisem…

imagem-de-um-video

A página do vídeo está linkada na imagem acima (clique na foto), não deu prá inserir o vídeo diretamente aqui porque ele ficava ligando sozinho ao carregar o blog…

 


Campanhas de alimentação no Brasil

Ontem postei um vídeo sobre uma campanha na Inglaterra para a mudança de hábitos alimentares, a “Change 4 Life”. E aí fui procurar campanhas similares no Brasil. Aqui temos muita campanha para arrecadação e distribuição de alimentos mas temos muito pouco, ou acho que não temos (não achei quase nada, alguém indica?), para a mudança de hábitos, ou seja, para comer melhor.

Supondo que, se existe, o problema da fome no Brasil é relativo à desnutrição ou nutrição inadequada, e não à falta de alimentos, é preciso avaliar se realmente faz sentido a enorme quantidade de campanhas para arrecadação de alimentos diversos que existe por aí, do tipo “doe comida indiscriminadamente”, e ainda, se é que elas funcionam na sua distribuição. O fato é que existe um problema de alimentação saudável que está crescendo no Brasil, ou seja, além de uma má nutrição nos bolsões de pobreza, existe o surgimento da nutrição inadequada nas classes média e alta, geradas pelo crescimento industrializado e globalização econômica e cultural do país. É o mesmo fenômeno que ocorre nos países do norte, uma questão de educação alimentar.

Tudo bem que aqui se come arroz com feijão e o nível de penetração dos alimentos industrializados na população não chega aos pés do que ocorre na Inglaterra ou nos EUA, mas aqui problemas de saúde pública como a obesidade e a diabete já preocupam e consomem recursos públicos muito mais do que a “fome”. Além de checar dados do Ministério da Saúde sobre o assunto, basta dar uma volta pelas ruas e checar o povo andando por aí para comprovar isto.

Mas para combater este problema as campanhas de comunicação deveriam ser mais focadas na educação a uma alimentação saudável e não em “fomes zeros”. E o pior é que no Brasil quase não se vê campanhas de qualidade, ou seja, que possam realmente ter a esperança de funcionar. Na web tá cheio de vídeos amadores e na TV ou nos impressos só muito de vez em quando é que aparece algo, e mesmo assim muito pontual, por muito pouco tempo, limitado a uma região pequena, etc. Enfim, na minha opinião precisamos ter mais campanhas de educação alimentar, e não só big campanhas do Ministério e dos mkts sociais das corporações, mas também ações comunitárias e horizontais feitas por nós mesmo, principalmente aqui na web.

Vou pesquisar mais sobre este assunto e voltarei nele aqui com mais propriedade para outros comentários e idéias, mas por enquanto segue aqui abaixo dois vídeos, um de uma campanha do Banco de Alimentos, do tipo “doe dinheiro para a causa”, com o testemunho do Alex Atala; e outra do Ministério da Saúde pedindo para o povo comer mais arroz com feijão em uma tentativa de preservar o hábito alimentar básico e saudável que o brasileiro sempre teve (em face à alternativa hiper-industrializada) – este vídeo é bem simpático, vejam aqui:

 

Banco de Alimentos – campanha doe 9 reais:

 

Ministério – campanha em prol do feijão com arroz:

 

E para mais info sobre o assunto, aqui Alimentação e Nutrição no Ministério da Saúde, e aqui um ensaio sobre Insegurança Alimentar em uma publicação da UFG (Goiás).

Feliz mês novo!

FELIZ 2009! Ok, agora que estamos começando o ano e sempre temos a mesma idéia: neste ano vou melhorar meus hábitos de vida, mais exercícios físicos (ou talvez fazer alguns), comer melhor – menos porcaria e mais saudável, parar de fumar? (a maioria já parou), enfim, viver uma vida mais saudável. Mudar de vida.

Com este mote, “Change 4 Life” é mais uma campanha na Inglaterra que foi lançada neste mês, dê uma olhada abaixo: 

 

A questão é como fazer estas campanhas realmente funcionar. A gente começa agora com todo vapor, mas daqui a uns dias, ou semanas (os mais valentes), tudo começa a voltar ao padrão cotidiano do pão nosso. O difícil não está em tomar resoluções ou começar a praticá-las, o difícil está em mantê-las, está na sua manutenção. E estas campanhas poderiam talvez ajudar se elas não saíssem do ar nunca, se fossem variando de tema mas ficassem lá lembrando a gente o tempo todo. Mas em geral não dá prá se fazer isto. 

Por isto vamos ter que nos reinventar sozinhos, usar nosso potencial positivo, nossa boa vontade interna, aquele arzinho de “yes we can”, só que o tempo todo, ou pelo menos, a cada mês. 

Feliz mês novo!