O nome do blog mudou…

…mas você está no mesmo blog de antes, continua tudo igual, ou quase tudo. O “popkitchen brasil” agora se chama “digeat“. Pois é, nada é eterno na vida. Ocorre que por motivos pessoais achei que seria melhor mudar o nome do blog agora. Mas isto não vai mudar muito o conteúdo não. Pelo menos por enquanto.

Mas de onde vem o nome “digeat”? Bom, prá quem não sabe, estou muito ligado à comunicação digital (entre otras cositchas más), e tenho um projeto bem interessante que se chama DigSociety. Este é um projeto maior, que envolve uma série de conteúdos diferentes e todos ligados às grandes mudanças digitais que nossa sociedade está vivendo há vários anos, e agora de forma cada vez mais intensa e interessante. Só que a realização deste projeto ocorrerá em breve, pois depende ainda de várias coisas. Mas como eu tinha que mudar o nome do blog agora, resolvi já adiantar um pouquinho e o rebatizei de “digeat”.

O endereço http://www.popkitchen.com.br continua funcionando ainda, mas o novo endereço agora é http://www.digeat.com (sem o br).

Quem acompanha este blog já deu prá perceber que falo muito de cultura e sociedade ao redor da gastronomia, e muito de mídia, o tempo todo. Portanto, não vai mudar muita coisa não. Pelo menos agora.

Também gostava do nome popkitchen, mas digeat é melhor. E o principal é que o conteúdo segue na mesma linha, continuem lendo o blog que vocês vão ver que o nome não faz muita diferença. Garanto!

Boa leitura!

Pesquisas do blog – último resultado

lupa2Como vocês viram, aqui do lado esquerdo tem sempre uma pesquisa sobre assuntos gerais ligados ao tema do blog. Acabo de trocar de pesquisa. A última ficou aqui durante um mês com a seguinte pergunta:

“Você acha que os jornais e revistas deveriam ter entre eles um acordo comum com critérios ou regras éticas para fazerem suas críticas a restaurantes?”

De 1691 pessoas que viram a página no último período de 30 dias, 12 responderam à pesquisa!!… e o resultado foi 75% (9) responderam que SIM e 25% (3) responderam que NÃO.

De início eu achei que haveria um monte de respostas, mas depois fui checar os números gerais da web e vi que a média de cliques em um link proposto (pesquisas, propaganda, etc) é de 0,5%, ou seja, de todas as pessoas que vêem uma página web apenas 0,5% clicam em links que não estão ligados ao texto que lêem. Isto é uma estatística mundial. Aqui consegui subir um pouquinho esta média pois esta pesquisa alcançou 0,7% de cliques. 

Agora coloquei uma pesquisa sobre a lei antifumo, vamos ver se mais pessoas respondem ou não. Daqui a um mês (mais ou menos) fecho a pesquisa e abro os resultados.

Votem e sugiram temas para pesquisas também!

Aproveito para agradecer aos que me lêem aqui. Muito obrigado! Nunca fiz muita publicidade do blog, mas aos poucos está aumentando a sua visibilidade. Vamos ver onde vai dar tudo isto!:)

abs!!

Todo dia era dia de índio…

foto: fredpacifico no flickrfoto: fredpacifico no flickr

Entre a teoria do mito modernista (veja em post anterior) e a história da culinária brasileira formada pela tríade cultural dos índios, dos portugueses e dos africanos, inegável é a força da cultura indígena na nossa culinária. Até mesmo quando comemos pipoca no cinema.

Então aqui, prá não passar em branco, minha homenagem à nação indígena brasileira, seus vários povos, e sua rica cultura.

Que saibamos preservá-la!

E seguem 4 links muito interessantes sobre o índio e a culinária indígena:

Aqui você lê um interessante artigo do papel da cultura indígena na formação da gastronomia brasileira, de Mártin Cesar Tempass, com análises feitas sobre textos de Gilberto Freyre e Câmara Cascudo.

Aqui você lê muito sobre a culinária indígena, não identifica o autor, mas o texto é bem completo.

Aqui você tem 3 receitas indígenas: beiju com moqueado, moqueca de banana picante e coelho ietyca.

E aqui você tem uma lista com 235 povos indígenas brasileiros, com os estados onde se localizam e sua população atual.

E aqui abaixo você se delicia com nosso querido Jorge Benjor e um vídeo-homenagem bem legal que achei, com Curumin Chama Cunhatã:

 

Dia do Índio, comemore todo dia!



Criatividade em gelatinas

Olha só o que este pessoal da Bompas & Parr está fazendo com gelatinas na Inglaterra (tem muito mais no site deles):

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Lei antifumo, corrupção e romantismo

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foto: dancerffm no flickr

Pois é, chegou a hora de encarar definitivamente a questão do fumo nos restaurantes e bares pois a nova lei estadual que proíbe fumar em todos os espaços coletivos fechados ou cobertos foi aprovada e prevê 3 meses de adaptação para os estabelecimentos. É válida ou não é válida esta lei?

É aquela história, parar de fumar é fácil, eu mesmo já parei várias vezes:), e estou precisando parar de novo. Mas uma lei não vai fazer ninguém parar com este terrível vício, e olha que sou contra o cigarro e prefiro que ninguém fume em lugar nenhum. Mas o problema não é este, é que tem um monte de gente que fuma porque fumar é um vício legalizado e os cigarros estão aí à venda em todos os lugares, e o governo, apesar de proibir a propaganda, não proibe a promoção e ainda  fatura uma grana preta com a venda de cigarros e tabacos em geral.

O correto então não seria proibir a fabricação e a venda de cigarros no país inteiro? E oferecer também tratamento gratuito eficiente para os tabagistas? E por que então não fazem isto? A resposta é simples, e está na quantidade de milhões de reais que a indútria de tabaco no país paga todo ano aos mais diversos políticos do congresso, das assembléias, das câmaras municipais e dos executivos por aí afora. E isto não é uma novidade não, todo mundo sabe disto. A indústria de tabaco tem lobistas profissionais altamente qualificados e que recebem altíssimos salários só prá fazer o convencimento e o pagamento ilegal aos legisladores e executivos que impactam o setor. Você é político e quer aumentar seu caixa? Basta soltar nos jornais que você é antifumo e que vai lutar para acabar com a venda do cigarro e automaticamente no dia seguinte alguém vai bater à sua porta com um punhado de milhões de reais prá te incentivar a calar a boca.

E o governador Serra tem só dois objetivos com esta lei, quer usar isso na sua campanha à presidência no ano que vem, mantendo a sua velhíssima linha “ministro da saúde”, e ainda vai prometer proibir o consumo no país todo, e talvez vá também prometer acabar com a indústria do tabaco (ainda que isto acho que ele não consegue porque seus pares politicos não vão querer perder esta “bocona”). E o seu objetivo número dois é justamente este, o enriquecimento de seu caixa partidário. Este país é culturalmente corrupto, e temos que ficar falando disto o tempo todo, tentando plantar esta mudança (muito) futura.

Mas mudando o foco e ficando no mesmo assunto, nesta semana fui a dois locais onde todo mundo fumava, e isto dava um certo ar romântico de velha Europa e de boemia cultural aos locais. Fui no bistrô La Tartine, na Fernando de Albuquerque, que eu adoro. O ambiente é total bistrô francês mesmo, ainda que o cardápio seja franco-marroquino. Vários estrangeiros nas mesas ao lado e todo mundo fumando tranquilamente, mesmo que houvesse alguém comendo na mesa ao lado. Dá prá ficar horas lá comendo, bebendo, fumando e batendo papo, numa boa. Ninguém se incomoda com nada. De quebra provei a porção de escargots deles, que fazia muito tempo que eu não comia, e que não estava lá estas coisas. Lá eu recomendo o cuzcuz marroquino, é claro, mas só servem na sexta. E só um aviso, o local tem área para não fumantes também.

Só 6?

Só 6?

E ontem fui no Teta Jazz Bar, na Cardeal Arcoverde, em frente ao portão do cemitério. É bar mas tem um cardápio muito bom. Comi umas fantásticas bruschetas de brie com pesto temperadas com mel, de verdade estavam maravilhosas. E ouvi um jazz muitíssimo bom do grupo Água Viva. E todo mundo estava fumando também, em todos os lugares, e todo mundo feliz. Ninguém reclamava.

Grupo Água Viva no Teta Jazz

Grupo Água Viva no Teta Jazz

É verdade que na Europa já proibiram o fumo em todos os bares, restaurantes e até mesmo em discotecas. Só que lá eles liberam as mesas nas calçadas e nas ruas durante o verão e a primavera, e os bares ficam lotados de gente fumando fora, e vazios dentro. Aqui não sei não, me dá um pouco a sensação que a coisa vai acabar igual à lei seca… ué, alguém ainda está falando desta lei hoje? E olha que fazem só alguns meses que ela foi implantada! No começo tinha fiscalização em todo lugar, virou polêmica, discussões intermináveis, e menos de um ano depois olha só, todo mundo bebendo tranquilamente e dirigindo seu carrinho prá casa, sem o menor problema. Pois é com o cigarro corre o risco de ser igual, algum infeliz dono de bar ou restaurante vai ter que pagar uma multa, vai sair em toda a mídia, vão arruinar o negócio dele, e depois de 2 ou 3 meses tudo acaba e todos voltam a fumar tranquilamente em suas mesas. Não sei não, vamos ver.

A única coisa certa aqui é que a campanha do Serra prá presidência começou na mídia agora com esta lei em São Paulo. E quem sofre com isto são os donos de restaurantes e bares. Estes, certamente vão votar na Dilma.  Gente do céu, será que ela ainda fuma?

Times change…

Achado num dos posts do digg… não tinha créditos:

lovin-it-now

Bacalhau – Você sabe o que está comendo na Páscoa?

Adoro bacalhau, cresci comendo bacalhau ao forno com batatas feitos pela minha avó Olympia, portuguesa de Trás-os-Montes, e pela minha mãe, que ainda hoje o faz. Aí um dia descobri que bacalhau não é um peixe e sim vários, a maioria do tipo “Gadus”, sendo o “Cod” o mais apreciado, e enfim, tem uma história enorme por trás disto. Você sabe o que está comendo na páscoa? Então leia tudo a respeito do bacalhau em dois sites que selecionei, clique aqui e aqui.

Agora veja aqui no vídeo o que é realmente que você vai comer… E não fique triste.

Isto me lembra quando era criança e vi pela primeira vez matarem e limparem todinho um porco, lá em Avaré. E ainda viajei prá SP com o porco cheio de gelo embaixo dos meus pés no banco de trás de um fiat 147. Pois é, às vezes fico na dúvida se ao invés de querer comer os bichos eu não deveria ter sido veterinário. Mas que bacalhau ao forno com batatas é bom, isto é.

Domingo à tarde no Moraes

Rei do Filet. Assim desde 1929 no centro de São Paulo esta simplésima casa se mantém. Várias histórias a respeito vc acha no site deles aqui. Não gosto de ficar falando de monumentos da história dos restaurantes da cidade a menos que os monumentos estejam vivos e atuantes. Tudo muda. Eu só quero recomendar aqui se vc estiver girando pelo centro de SP sem nenhuma pretensão e estiver com fome. E tem também filial na Al. Santos nos Jardins, e também simples, mas não simplória. Mas o fato aqui são: a carne, as batatas, e a presença histórica. Esqueça do resto, de todo o resto, inclusive nada de vinhos ou nem mesmo Xingú. Será 1 hora de prazer se você estiver com fome carnívora e com um bom amigo ou amiga. E se pedir com alho tostado, como fiz, não se arrependerá.

Fica (ainda) na Praça Júlio Mesquita, 175, indo pela São João, ou pelo Arouche x Vieira de Carvalho direto em frente pela rua Vitória, é nela mesma.

Verdade que não é mais a mesma carne de, digamos, uma década atrás. Perdeu um pouco a qualidade, e os donos deveriam se ater a isto pois é a única coisa que te leva lá. E é um pouco cara justamente por isto, R$ 48/testa, se a carne fosse perfeita seria justo. Mas é boa, e devem seguir, e vcs devem visitar, quem puder. Come-se bem. E na saída ainda tem os Sonhos de Valsa.

Ou será que ainda tenho muitas lembranças de lá e nostalgias do centro de SP?

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Existe algo mais simples?

 

Um bom marketing gastronômico e o mito modernista

Aqui mais uma sobre o restaurante Dalva e Dito, desta vez no Financial Times:

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Todos vocês leram a enxurrada de críticas ao novo restaurante do Alex Atala, o Dalva e Dito, em São Paulo, nos últimos 2 meses, em toda a mídia, certo? Algumas críticas construtivas, positivas ou negativas, mas a maioria trazia um resumo implícito simplificado: “olha ele lá com todo seu marketing, coisa boa não deve ser”. 

Uma em especial chamou muito a atenção, que foi a crítica da Veja SP assinada pelo Arnaldo Lorençato. Muitos gostaram e entraram na linha “vejinha classe média”, do tipo seja ‘in’ – seja igual, muitos outros a criticaram pela sua implacabilidade estomacal com um restaurante recém aberto, e outros ainda o acusaram de oportunismo midiático ao criticar na mass-media o mais famoso chef do país.  A questão é que esta crítica não trouxe aspectos positivos do restaurante, que sim existem, e muitos, e os tantos aspectos negativos citados certamente podem ser relativizados. O pouco que conheço pessoalmente do Arnaldo e o muito que conheço de suas críticas são suficientes para conhecer a sua intelectualidade gastronômica e seu claro entendimento profissional da crítica, que eu admiro, mas pessoalmente não concordo com o tom desta crítica na Veja pelo fato dela não ter aberto espaço para a consideração de que o Dalva e Dito é a primeira iniciativa para trazer a realidade culinária brasileira doméstica ao círculo elitário da alta gastronomia, um risco e tanto que o Atala assumiu, e que só faz bem para o desenvolvimento da maturidade da nossa cozinha e para o reconhecimento do que realmente comemos no dia-a-dia.

Mas sobre este assunto, o melhor comentário é sem sombra de dúvida o que fez o nosso sociólogo da cozinha brasileira Carlos Alberto Dória em seu blog e-Boca Livre, onde achei eco – leia aqui – mas leia mesmo pois seu texto é muito esclarecedor para entender este fato (aqui abaixo copio um trecho).

Então, como acredito que tanto fato quanto fenômeno estão muitíssimo bem explicados pelo Dória, e o assunto já envelheceu na mídia, eu aqui só vim mostrar a crítica do Dalva e Dito feita pelo Charles Campion do Financial Times.

Ele tece elogios à culinária do restaurante, e assim à culinária brasileira, retratando o desafio de mostrar ao mundo o que é que o Brasil come em casa. E levou às páginas de um dos mais importantes jornais de economia do planeta o fato de aqui termos ingredientes fantásticos e que valem muito conhecer e explorar. E ele ainda concorda com o próprio Atala quando o chef diz que o Brasil ainda estará entre os líderes mundiais em gastronomia nos próximos anos. 

Pois é, convenhamos, além dos vários chefs que muitas vezes gastam dinheiro de seu próprio bolso para levar nossa culinária à vitrine do mundo em eventos no exterior (minhas sinceras homenagens à Mara Salles, à Morena Leite, à Elzinha Nunes, à Ana Luiza Trajano e à tantos outros), qual chef tem no Brasil o poder de atrair a boa opinião internacional sobre nossa cozinha sem nem mesmo ter que sair de casa, senão o Atala? E isto é sim marketing, óbvio e claro. Parabéns ao talento e ao marketing do Atala. Ainda bem que tem gente fazendo isto com propriedade, pois sem o marketing gastronômico ainda estaríamos comendo filé a parmigiana em restaurantes “internacionais” em São Paulo e no Rio e achando isto o melhor dos mundos.

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Não resisti, e copio aqui abaixo o melhor trecho explicativo do texto do Dória, tirado de seu blog no link acima, vejam que genial, não pela questão do critico Lorençato, mas pela sua visão do mito modernista na gastronomia brasileira:

“Lorençato é um dos melhores críticos gastronômicos do Brasil, desde os seus remotos escritos na Gazeta Mercantil. Um raro intelectual da culinária, como atesta o seu recente – e excelente – prefácio ao livro de Katarzyna J. Cwiertka, Moderna Cozinha Japonesa (Senac, 2008). Mas, como muitos, talvez ainda esteja demasiado tributário do mito modernista da cozinha brasileira: somos a mestiçagem das heranças coloniais portuguesas, indígenas e negras. E, por apego a esse mito, nos sugere que Dalva & Dito não “vale quanto pesa”, pois nele o Brasil é “coadjuvante”. Ora, o mito foi tecido a partir da Semana de Arte Moderna de 1922, especialmente pela aplicação culinária que lhe deram depois Gilberto Freyre e Câmara Cascudo. Sua utilidade para os negócios da indústria do turismo é mais do que óbvia, pois esta aterrizou as diferentes “influências” em vários destinos turísticos (vai-se ao Rio Grande do Sul para comer churrasco; a Salvador para comer acarajé; a Belém para comer a culinária de origem indígena e assim por diante), criando um mosaico que justifica a deambulação pelo país, “nas asas da Panair”. No entanto, o valor explicativo do mito para a gastronomia é nulo. 

Como mostrou a antropóloga Lívia Barbosa [“Feijão com arroz e arroz com feijão. O Brasil no prato dos brasileiros”. Horizontes Antropológicos, ano 13, n. 28,jul/dez de 2007], essas comidas “regionais” não compõem a dieta doméstica do brasileiro. A pesquisa que ela fez nas regiões metropolitanas mostra que, no almoço, “94% […] declararam comer arroz e feijão, acompanhados de algum tipo de carne vermelha (69%), galinha (42%), salada (30%), macarrão (24%), verduras em geral (22 % ) e legumes (18%). O consumo de arroz fica acima de 90% em todos os grupos sociais”. De 130 itens alimentares citados pelos pesquisados, “apenas nove podem ser considerados regionais (macacheira, batata doce, inhame, arroz de carreteiro, polpeta, polenta, moqueca de peixe, cuscuz, baião de dois e caruru) todos com menos de 0,5 %”.

No geral, “o consumo dos itens regionais é muito baixo, mesmo nas próprias regiões. Tapioca e baião de dois, por exemplo, aparecem com 1,4% e 5,4% de consumo em Fortaleza, respectivamente; polenta 4,1% em Porto Alegre e 0.3% em São Paulo. A cidade com maior consumo de itens relacionados a sua cozinha tradicional é Recife, com 57,1% para o cuscuz, 10,2% para o queijo de coalho, 55% para o inhame, 36,7% para a macacheira e 6,3% para a batata doce”.

Está claro, portanto, que os “papéis coadjuvantes” que Lorençato atribui a “receitas e ingredientes nacionais” não é um erro de escolha do cardápio de Dalva & Dito mas um dado da realidade alimentar brasileira.  Por que um “brasileirão” deveria trabalhar para a manutenção de um mito que, com um século de existência, pouco serve gastronomicamente, em vez de partir do terreno mais difícil e verdadeiro, como são os hábitos domésticos calcados no arroz-com-feijão?

Tudo o que se come em Dalva & Dito é brasileiro no sentido mais arraigado da palavra e das práticas alimentares reais. Assim, só decepciona os prisioneiros da mitologia modernista. “

Muito interessante, não?