O Guia – ep2

Pic-nic na Normandia após a caça ao faisão

Pic-nic na Normandia após a caça ao faisão

Neste domingo cheguei atrasado para o episódio de Londres, liguei bem no finalzinho, quando estavam terminando uma entrevista do Josimar com a belíssima Nigella Lawson. Fiquei feliz em saber que ela continua lá, super charmosa, “me esperando”… é, eu teria me derretido com ela ao meu lado, certamente…  Mas enfim, de cara já vi algo novo no programa, e que gostei: uma história a ser contada! A busca pelos hábitos gastronômicos e etílicos de Ian Flemming e James Bond pelos locais de Londres dá sem dúvida uma bela história, e mais do que isso, une os passos do programa do começo ao fim. Só assisti o final deste episódio, mas gostei e quero assistí-lo inteiro.

Mas prá minha sorte logo após o término de um epísódio eles estão reprisando o episódio anterior, e pude então ver o o Josimar sair em busca de faisão, em Paris e na Normandia (que eu não tinha visto na semana passada). O epísódio é engraçado, nada dá certo, não se acham facilmente carnes de caças nos açougues de Paris porque estão proibidas para exibição em vitrine (segundo o que entendi). Eles ‘decidem’ então ir caçar e ao sair para o campo… não acham os faisões para abate, mas a produção se sai bem e saca um faisão reserva. No final montam um pic-nic tradicional no pós-caça onde, como todo bom francês, o primeiro a se alimentar é o cachorro, e manjam embutidos com vinho. Aí viajaram de volta rumo a Paris para entregar o faisão ao chef Yves Camdeborde, do bistrô Le Comptoir Relais St. Germain, provavelmente o bistrô mais famoso da cidade por oferecer boa gastronomia a preços acessíveis. Et voilá, uma receita tradicional francesa, uma espécie de tarte au choux, com foies gras e o faisão.

Este episódio marcou uma diferença em relação ao primeiro, pois em uma única história linear – a busca ao faisão, que é comentada e explicada o tempo todo, “O Guia” passou por uma rapida checada nos açougues de Paris, pela ida à Normandia para mostrar como caçam os franceses – inclusive mostrando claramente que a maior parte da carne de caça é na verdade criada (ainda que isto possa desiludir a românticos sonhadores), e então pela cozinha do famoso bistrô em Paris e a explicação sobre o prato tradicional. Antes disso, de quebra, chegando em Rouen ele ainda pode mostrar o La Couronne, dizem o mais velho hotel da França, de 1345, onde se come um tradicional pato seguindo a preservação de uma receita tradicional pela Associação dos Pateiros… é, lá tem isso.

Menos correria, mais informação, e mais divertido. Gostei mais do programa agora, que conseguiu também ensinar algumas coisas legais. Parabéns.

O Guia – no canal National Geographic – domingos às 20h.

Leia a posição da associação dos bares e restaurantes sobre a lei antifumo:

Hoje foi postado um comentário interessante no meu post do último dia 15 com o título “64% a favor da lei antifumo e 36% contra”, a respeito da pesquisa feita no blog sobre esta nova lei estadual.

O comentário postado é a posição oficial da Abresi, a associação do setor patronal de bares e restaurantes que abrange todo o país, e que está na justiça contra a nova lei estadual de São Paulo, representando a causa dos estabelecimentos para que haja espaços realmente isolados para fumantes e não-fumantes nos restaurantes e bares, ao invés da proibição total do fumo.

Por solicitação, reproduzo aqui abaixo na íntegra o comentário postado, e abro espaço para quem mais quiser postar a respeito, contra ou a favor!

Diz o texto:

A Abresi – Associação Brasileira de Gastronomia, Hospedagem e Turismo gostaria de cumprimentá-lo por estabelecer democraticamante o debate sobre a lei antifumo em seu blog.

Quanto à pesquisa, é bastante significativo o resultado de 36% de fumantes e não fumantes que são contrários à lei.

Desde o ínicio do processo legislativo da lei antifumo, a ABRESI – , e demais entidades patronais do setor se manifestaram favoravelmente à lei. Pois é!!!

Contudo, defendiamos apenas uma emenda ao projeto que contemplasse o verdadeiro “fumódromo” e não apenas áreas para fumantes e não fumantes. Porém, o governo do estado foi incensível aos nossos apelos e manifestações públicas com mais de 500 proprietários e trabalhadores do setor na Assembléia Legislativa do estado.

Defendiamos (e ainda defendemos, mas agora na justiça), áreas exclusivas para fumantes, separando os dois públicos em ambientes delimitados por barreiras físicas que impeçam a transposição da fumaça, dotando os espaços para fumantes de sistemas de exaustão.

Como você deve estar acompanhando, diversos estados estão adotando a idéia paulista, entretanto, a maioria tem aceitado nossa proposta, mais flexível.

Uma pesquisa do Instituto Getúlio Vargas demontrou que fumantes permancem mais tempo no interior de bares e restaurantes e, assim, seu gasto “per capita” é maior que o de não de não fumantes. Essa conclusão é elucidaditva no sentido de que haverá queda no faturamento e, consequentemente, reajuste de preços ao consumidor final e demissões.

É claro que existe o interesse comercial, pois sobrevivemos à partir dos nossos negócios. Investimos capital e geramos empregos em que as famílias dos nossos colaboradores dependem de nós. Todavia, há outra questão fundamental em jogo, de fundo político-ideológico (não de política partidária).

Nossas entidades acreditam que pessoas adultas devam ter liberdade de fazer suas próprias escolhas, sem que precisem ser tuteladas pelo Estado.

Entendemos que não precisamos de um Estado-babá nos dizendo o que fazer, o que comer, o que beber e assim por diante. Bastaria informar dos malefícios de determinada conduta em campanhas educativas e permanentes.

Pensamos que o arbítrio começa assim, com boas intenções colocadas de forma radical (sabe-se lá com que intenções) e quando percebemos, a sociedade é tolhida de seus mais comezinhos direitos individuais.

Apoiamos e defendemos sim, restrições a direitos que possam afetar terceiros, mas jamais seu banimento quando existem alternativas sensatas e democráticas para acomodar os interesses de todas as partes envolvidas.

Também não podemos concordar em sermos tranformados em fiscais de nossos clientes. Demoramos anos para cativar e formar uma clientela e depois temos de chamar a polícia para retirá-los de nossos estabelecimentos. O que é isso???

A lei ainda pretende jogar cidadão contra cidadão, ao formar uma tropa de dedos duros filmando e fotografando os “criminosos fumantes” em ação!!! Imagine o problema (e até tragédias) que isso poderá causar…..

Enio, aproveitando a oportunidade, solicito postar a mensagem do setor patronal e divulgar nossa opinião em seu blog. Abraços a todos.

O texto é assinado por Edson Pinto, diretor da Abresi. Obrigado Edson pela sua manifestação neste blog!

Rápida e importante

O Brasil é a bola da vez para a GM também. Investirá R$ 2 bi em suas plantas no país, e criará 1 mil empregos diretos. Isto quer dizer que para se criar 1 emprego direto na indústria automobilística deve-se investir R$ 2 milhões. Com 2 milhões de reais também é possível criar 1 centena de empregos diretos na indústria das sustentabilidades – energética, ambiental e social. Só prá lembrar. E divulgar.

Sem contar as ruas entupidas de carros.

64% a favor da lei antifumo e 36% contra

Do total, 47% não fuma e quer a lei (são os que querem preservar seu direito de não ser fumante passivo),17% fuma e quer a lei (devem ser os que querem parar de fumar), do outro lado 24% não fuma e não quer a lei (ou seja são os ‘cada um na sua’ – que dão o direito ao fumante de fazer como quiser),  e 12% fuma e quer continuar fumando nos estabelecimentos públicos de SP – os que permitam.

Este é o resultado de 2 meses e meio de pesquisa aqui no blog. 34 pessoas votaram. Só? É, mas representam um segmento ativo que costuma tomar posição e defender, promover, etc. Pelo menos na teoria. E claro esta pesquisa era uma pesquisa simples, sem cortes a não ser ‘leitores do blog’.

Mas chega de pesquisas, por enquanto.

abs..

…e falando em Paris…

… saiu a lista de “jantares no céu” da capital francesa. Vocês já devem ter visto do que se trata, aquele grupo que organiza jantares pendurados em uma grua enorme que já passou por várias cidades da Europa e do mundo:

jantar no ceu

Pois é, a próxima parada é em Paris e a lista de jantares previstos traz chefs de primeira linha, entre eles Marc Veyrat, Pierre Gagnaire, Alain Passard e Fréderic Anton (veja a lista completa dos jantares aqui). Cada jantar custa cerca de 900 euros por pessoa, e dura em média 1 hora. Tudo bem que é uma experiência única na vida, mas será que dá prá sentir algum sabor quando se está pendurado por uma grua e com os pés balançando a dezenas de metros do chão? Bom, pelo menos parece ser divertido e com certeza inesquecível.

jantar no ceu 2

A série de Paris começa em setembro, e aqui neste link você tem todas as informações.

Estreou o novo programa de tv “O Guia”, do Josimar Melo

josimar2

Imagem tirada do site do programa

Estreou agora há pouco no canal National Geographic o programa “O Guia”, que vai ao ar todo domingo às 20h, onde o jornalista Josimar Melo viaja por diferentes lugares para mostrar curiosidades e aspectos interessantes da gastronomia.

Neste primeiro episódio Josimar vai à Paris. Começa visitando o quartel general do Guia Michelin e entrevista rapidamente seu diretor geral Jean-Luc Naret.  Sai e segue andando pela cidade provando comida de rua, tenta um kebab, depois um crepe e depois um pão com chocolate. Sempre tudo muito rápido. Para fechar o primeiro bloco, e o dia, uma cena para mostrar o crítico tomando um triplo de Calvados em um bar da cidade.

No segundo bloco ele vai visitar a boulangerie de Arnaud Delmontel, que foi eleita a melhor boulangerie de Paris em 2007, servindo assim durante este ano o presidente Sarkozy no Palais de l’Elysée. Novamente tudo muito rápido, e a edição do programa usou o pouco tempo que tinha na boulangerie para mostrar como o Delmontel é um entusiasta das mulheres brasileiras.

De lá ele foi visitar o 3 estrelas L’Arpége, do chef Alain Passard. Aqui havia a possibilidade de conteúdo inédito na TV brasileira pois Passard conseguiu suas estrelas servindo somente vegetais. Josimar cita isto mas não dá tempo de se aprofundar mais do que mostrar que os vegetais vêm de uma horta particular. Novamente tudo é muito rápido e ele salta então para o mais estrelado chef do mundo, o Alain Ducasse no Plaza Athénée. Mostra bem como o chef é cercado de assessores e, quando o chef aparece, eles fazem uma entrevista também rápida sobre crítica gastronômica, com só uma pergunta. Entram então na cozinha e Ducasse se despede. O chef Christophe Moret, que é quem executa nas panelas, lhe serve um fantástico menu degustação dentro do aquário do chef, um local privilegiado onde se pode controlar a cozinha e o restaurante por monitores. Josimar fala um pouco dos pratos, o que foi interessante, e repete algumas vezes que o tartufo branco é de Alba. Depois, em um único frame de menos de 1 segundo, mostra o salão do restaurante. Eles não queriam mostrar o salão mas tinham que fazê-lo pois era o acordo com a casa. Mas o salão do restaurante do Alain Ducasse também é interessante, não é?

Ok, esta foi uma descrição muito em síntese do conteúdo do primeiro episódio do programa, pois é claro houveram outros detalhes.

Mas para mim pareceu que no primeiro programa brasileiro de gastronomia que se produz com padrão internacional, para exportação mesmo, a ‘empreitada’ do programa desperdiçou uma boa oportunidade. Explico: Josimar tem um enorme conhecimento de enogastronomia, mostrou uma tranqüila desenvoltura diante das câmeras, está à vontade e descontraído e sabe sem titubear sobre o que está falando, pois este é seu mundo e ele tem um grande domínio do assunto (oras, independente de gostos e estilos, ele não conquistou seu reconhecimento na crítica gastronômica no Brasil à toa, e nem no exterior). Além disso a edição do programa é dinâmica, moderna e tem a qualidade de ressaltar algumas imagens interessantes, bons enquadramentos, etc. Mas meia hora para todo o conteúdo que eles quiseram mostrar é muito pouco, deu a impressão que ficou tudo muito rápido e superficial.

Um programa de meia hora na TV não pode seguir a fragmentação de conteúdo que a web impôs ao mundo hoje, deve deixar isto com a grade de programação do canal. Ou seja, tudo bem e é tendência que a TV passe a ter vários programetes curtos, como sabiamente começou a fazer a MTV, mas ao se tratar de um único programa, e de meia hora, o conteúdo dele deve ser preciso, certeiro, em cheio, completo, inteiro. Tem, por força, que ser uma narrativa de começo, meio e fim, e não necessariamente nesta ordem.

É interessante mostrar comida de rua de Paris, como é interessante mostrar a boulangerie premiada, como o guia Michelin, como o L’Arpège, como o Ducasse, e também como o Calvados em um bar qualquer, mas é muita coisa interessante junta em tão pouco tempo, sem que se aproveite bem nenhuma delas. Entendo que esta pode ser a proposta do programa, mostrar um monte de coisa e tentar fazer disto um show de entretenimento e nada mais, mas talvez neste caso o programa deveria estar em outro canal, para outro público, pois acho que esta linha não casa muito bem com o próprio National Geographic. Tenho a impressão que o público do canal pago aproveitaria mais o conhecimento do Josimar se o programa focasse em um ponto e pudesse ir fundo nele, mantendo como máximo uma outra história paralela ou uma recorrência de detalhes ou de personalidades, à escolha. É que a gastronomia por si só já é algo suficientemente interessante para que possa ser um entretenimento completo, além do que os contatos do Josimar, seu grande entendimento do assunto, e a possibilidade de dispor de uma estrutura de produção de alto padrão, permitem desvelar curiosidades realmente interessantes sobre o objeto principal do programa, ao invés de passar batido por cima de tudo, sem aproveitar a chance com os importantes entrevistados ou cozinhas visitadas.

Sua inspiração de programa talvez fosse o “No Reservations” do Anthony Bourdain, que vai fundo em um só tema a cada episódio. E além da descontração do Bourdain (que o Josimar também tem) este é o motivo de seu sucesso: você assiste e sempre aprende alguma coisa. Outra inspiração poderia ser o brilhante Michael Palin e suas várias séries sobre viagens outstandings, exibidos por décadas pela BBC. E aqui também a cada episódio, adivinhem… você também sempre aprende algo sobre um tema central, mesmo com todas suas variantes.

De todos modos fica aqui a minha impressão e observação, que deixo para quem dirige o programa: aproveitem bem este cara que está guiando vocês pelas ruas gastronômicas por aí porque sei que ele conhece muito bem o que fala, e seria uma pena não perceber isto e perder esta oportunidade de levar um programa brasileiro de alta qualidade para todos. Entretenimento puro e simples tem de monte nos canais abertos por aí, e o que interessa neste caso é aprender um pouco sobre a diversidade na gastronomia.

Espero que eu esteja errado, e prometo revisar isto no próximo domingo, às 20h, pois esta foi somente a estréia e em geral as produções vão se afinando com o tempo. Assistam e comentem, vale muito a pena, e é uma excelente oportunidade para tentar uma opinião.

Almoço da ABG

Alguns membros da Academia Brasileira de Gastronomia nos reunimos no último dia 17/06 para um almoço informal no restaurante Capim Santo em São Paulo, da chef Morena Leite (que acaba de ter uma filha -Parabéns Morena!), para conversar sobre o futuro da ABG.

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A ABG é uma entidade cultural e apolítica, formada por apreciadores e entendedores da culinária brasileira, não profissionais de cozinha nem empresários de restaurantes, que tem o único objetivo de preservar e promover a cultura gastronômica brasileira e suas características exclusivas e regionais. Somos membros da Academia Internacional de Gastronomia e assim como as demais Academias de diversos países temos diversos projetos de interesse para a gastronomia brasileira, que serão realizados a partir de 2010. Neste momento estamos em busca de apoios institucionais para a viabilização de uma série de atividades, que em seu tempo serão relatadas aqui e na mídia em geral.

E no fim de setembro teremos mais uma reunião internacional, desta vez na cidade de Sevilha durante o evento Andalucia Sabor, para assinar a criação da Academia Iberoamericana de Gastronomia junto às entidades irmãs dos países desta região, entidade que terá a finalidade de aproximar as ações realizadas em nosso continente com as Academias européias, pois estas, por serem mais antigas, têm uma maior presença em seus países.

Tendo mais interesse sobre a ABG nosso email é abgastronomia@gmail.com. Em breve postarei mais notícias sobre a ABG por aqui.