Rock and Food

Aqui está uma das coisas mais legais que já vi neste universo food and pop que adoro:

A banda One Ring Zero e seu The Recipe Project.

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Entrem no link acima porque vale muito a pena, é genial.

Tá tudo explicado lá. E achei graças à Cíntia Bertolino, que achou isto antes e publicou aqui no seu blog no Paladar.

E as músicas são ótimas!! Difícil deve ser ouvir na cozinha enquanto estiver preparando outra receita!

Have fun!

(O mais “”próximo”” que já vi foram as gêmeas de Minas Gerais cantando em clips para a TV, que você vê aqui no meu post Delícias Cantadas.)

A culinária como arma de guerra!

Sim, isto mesmo, e o diretor eslovaco Peter Kerekes foi atrás exatamente das histórias das cozinhas estratégicas de diversas guerras, desde a segunda mundial, passando pela Tchetchenia e a guerra dos Balcãs, baseando sua história em 11 receitas que alimentaram milhares de soldados, além de, principalmente, elevar a sua moral através de pratos do orgulho nacional.

Daí saiu o filme Cooking History, que foi lançado no Festival de Cinema de Sarajevo, neste mês.  O tom irreverente do filme mostra as diferenças entre russos, alemães, franceses, croatas, sérvios e demais europeus que se envolveram nas guerras retratadas, suas diferentes visões sobre o papel das suas comidas na guerra, e diversos deliciosos recheios com as histórias dos cozinheiros do front.

Esta foi uma dica de minha antenada amiga autora do blog Popkitchen.

Além dos moedores de carne e das rosadas faces dos eslavos festivos até na guerra, dá uma olhada na história da cozinha que explodiu em goulash no trailer abaixo… é hilária:)…

…e é a cozinha como você nunca viu!

Entre na Campanha! (e espalhe para seus contatos…)

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O novo jeito de pedir pizza…

O marketing aplicado às novas tecnologias de comunicação está evoluindo. Vejam só aqui a nova forma de pedir pizza pelo aplicativo da Pizza Hut para o iPhone, que está bombando nesta semana na web. Em 2 semanas de lançamento já foram 100 mil downloads, que vc pode fazer aqui prá ver como é (mas que só envia pedidos nos EUA).

Genial, não?

E falando em tv…

Aqui o programa No Reservations do Anthony Bourdain sobre São Paulo… (prá quem ainda não tinha visto). São 5 partes do mesmo episódio:

1/5:

E aqui os links para as outras 4 partes:  p2p3p4p5

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E só para finalizar o post anterior sobre O Guia na NatGeo, assisti agora o episódio 4 do Josimar em La Mancha, e depois o reprise do episódio 3, que ele segue as pistas do James Bond em Londres. Realmente pegou o ritmo, parece que vai melhorando a cada um, vale a pena assistir… (mas ainda não tá na web..)

O Guia – ep2

Pic-nic na Normandia após a caça ao faisão

Pic-nic na Normandia após a caça ao faisão

Neste domingo cheguei atrasado para o episódio de Londres, liguei bem no finalzinho, quando estavam terminando uma entrevista do Josimar com a belíssima Nigella Lawson. Fiquei feliz em saber que ela continua lá, super charmosa, “me esperando”… é, eu teria me derretido com ela ao meu lado, certamente…  Mas enfim, de cara já vi algo novo no programa, e que gostei: uma história a ser contada! A busca pelos hábitos gastronômicos e etílicos de Ian Flemming e James Bond pelos locais de Londres dá sem dúvida uma bela história, e mais do que isso, une os passos do programa do começo ao fim. Só assisti o final deste episódio, mas gostei e quero assistí-lo inteiro.

Mas prá minha sorte logo após o término de um epísódio eles estão reprisando o episódio anterior, e pude então ver o o Josimar sair em busca de faisão, em Paris e na Normandia (que eu não tinha visto na semana passada). O epísódio é engraçado, nada dá certo, não se acham facilmente carnes de caças nos açougues de Paris porque estão proibidas para exibição em vitrine (segundo o que entendi). Eles ‘decidem’ então ir caçar e ao sair para o campo… não acham os faisões para abate, mas a produção se sai bem e saca um faisão reserva. No final montam um pic-nic tradicional no pós-caça onde, como todo bom francês, o primeiro a se alimentar é o cachorro, e manjam embutidos com vinho. Aí viajaram de volta rumo a Paris para entregar o faisão ao chef Yves Camdeborde, do bistrô Le Comptoir Relais St. Germain, provavelmente o bistrô mais famoso da cidade por oferecer boa gastronomia a preços acessíveis. Et voilá, uma receita tradicional francesa, uma espécie de tarte au choux, com foies gras e o faisão.

Este episódio marcou uma diferença em relação ao primeiro, pois em uma única história linear – a busca ao faisão, que é comentada e explicada o tempo todo, “O Guia” passou por uma rapida checada nos açougues de Paris, pela ida à Normandia para mostrar como caçam os franceses – inclusive mostrando claramente que a maior parte da carne de caça é na verdade criada (ainda que isto possa desiludir a românticos sonhadores), e então pela cozinha do famoso bistrô em Paris e a explicação sobre o prato tradicional. Antes disso, de quebra, chegando em Rouen ele ainda pode mostrar o La Couronne, dizem o mais velho hotel da França, de 1345, onde se come um tradicional pato seguindo a preservação de uma receita tradicional pela Associação dos Pateiros… é, lá tem isso.

Menos correria, mais informação, e mais divertido. Gostei mais do programa agora, que conseguiu também ensinar algumas coisas legais. Parabéns.

O Guia – no canal National Geographic – domingos às 20h.

Estreou o novo programa de tv “O Guia”, do Josimar Melo

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Imagem tirada do site do programa

Estreou agora há pouco no canal National Geographic o programa “O Guia”, que vai ao ar todo domingo às 20h, onde o jornalista Josimar Melo viaja por diferentes lugares para mostrar curiosidades e aspectos interessantes da gastronomia.

Neste primeiro episódio Josimar vai à Paris. Começa visitando o quartel general do Guia Michelin e entrevista rapidamente seu diretor geral Jean-Luc Naret.  Sai e segue andando pela cidade provando comida de rua, tenta um kebab, depois um crepe e depois um pão com chocolate. Sempre tudo muito rápido. Para fechar o primeiro bloco, e o dia, uma cena para mostrar o crítico tomando um triplo de Calvados em um bar da cidade.

No segundo bloco ele vai visitar a boulangerie de Arnaud Delmontel, que foi eleita a melhor boulangerie de Paris em 2007, servindo assim durante este ano o presidente Sarkozy no Palais de l’Elysée. Novamente tudo muito rápido, e a edição do programa usou o pouco tempo que tinha na boulangerie para mostrar como o Delmontel é um entusiasta das mulheres brasileiras.

De lá ele foi visitar o 3 estrelas L’Arpége, do chef Alain Passard. Aqui havia a possibilidade de conteúdo inédito na TV brasileira pois Passard conseguiu suas estrelas servindo somente vegetais. Josimar cita isto mas não dá tempo de se aprofundar mais do que mostrar que os vegetais vêm de uma horta particular. Novamente tudo é muito rápido e ele salta então para o mais estrelado chef do mundo, o Alain Ducasse no Plaza Athénée. Mostra bem como o chef é cercado de assessores e, quando o chef aparece, eles fazem uma entrevista também rápida sobre crítica gastronômica, com só uma pergunta. Entram então na cozinha e Ducasse se despede. O chef Christophe Moret, que é quem executa nas panelas, lhe serve um fantástico menu degustação dentro do aquário do chef, um local privilegiado onde se pode controlar a cozinha e o restaurante por monitores. Josimar fala um pouco dos pratos, o que foi interessante, e repete algumas vezes que o tartufo branco é de Alba. Depois, em um único frame de menos de 1 segundo, mostra o salão do restaurante. Eles não queriam mostrar o salão mas tinham que fazê-lo pois era o acordo com a casa. Mas o salão do restaurante do Alain Ducasse também é interessante, não é?

Ok, esta foi uma descrição muito em síntese do conteúdo do primeiro episódio do programa, pois é claro houveram outros detalhes.

Mas para mim pareceu que no primeiro programa brasileiro de gastronomia que se produz com padrão internacional, para exportação mesmo, a ‘empreitada’ do programa desperdiçou uma boa oportunidade. Explico: Josimar tem um enorme conhecimento de enogastronomia, mostrou uma tranqüila desenvoltura diante das câmeras, está à vontade e descontraído e sabe sem titubear sobre o que está falando, pois este é seu mundo e ele tem um grande domínio do assunto (oras, independente de gostos e estilos, ele não conquistou seu reconhecimento na crítica gastronômica no Brasil à toa, e nem no exterior). Além disso a edição do programa é dinâmica, moderna e tem a qualidade de ressaltar algumas imagens interessantes, bons enquadramentos, etc. Mas meia hora para todo o conteúdo que eles quiseram mostrar é muito pouco, deu a impressão que ficou tudo muito rápido e superficial.

Um programa de meia hora na TV não pode seguir a fragmentação de conteúdo que a web impôs ao mundo hoje, deve deixar isto com a grade de programação do canal. Ou seja, tudo bem e é tendência que a TV passe a ter vários programetes curtos, como sabiamente começou a fazer a MTV, mas ao se tratar de um único programa, e de meia hora, o conteúdo dele deve ser preciso, certeiro, em cheio, completo, inteiro. Tem, por força, que ser uma narrativa de começo, meio e fim, e não necessariamente nesta ordem.

É interessante mostrar comida de rua de Paris, como é interessante mostrar a boulangerie premiada, como o guia Michelin, como o L’Arpège, como o Ducasse, e também como o Calvados em um bar qualquer, mas é muita coisa interessante junta em tão pouco tempo, sem que se aproveite bem nenhuma delas. Entendo que esta pode ser a proposta do programa, mostrar um monte de coisa e tentar fazer disto um show de entretenimento e nada mais, mas talvez neste caso o programa deveria estar em outro canal, para outro público, pois acho que esta linha não casa muito bem com o próprio National Geographic. Tenho a impressão que o público do canal pago aproveitaria mais o conhecimento do Josimar se o programa focasse em um ponto e pudesse ir fundo nele, mantendo como máximo uma outra história paralela ou uma recorrência de detalhes ou de personalidades, à escolha. É que a gastronomia por si só já é algo suficientemente interessante para que possa ser um entretenimento completo, além do que os contatos do Josimar, seu grande entendimento do assunto, e a possibilidade de dispor de uma estrutura de produção de alto padrão, permitem desvelar curiosidades realmente interessantes sobre o objeto principal do programa, ao invés de passar batido por cima de tudo, sem aproveitar a chance com os importantes entrevistados ou cozinhas visitadas.

Sua inspiração de programa talvez fosse o “No Reservations” do Anthony Bourdain, que vai fundo em um só tema a cada episódio. E além da descontração do Bourdain (que o Josimar também tem) este é o motivo de seu sucesso: você assiste e sempre aprende alguma coisa. Outra inspiração poderia ser o brilhante Michael Palin e suas várias séries sobre viagens outstandings, exibidos por décadas pela BBC. E aqui também a cada episódio, adivinhem… você também sempre aprende algo sobre um tema central, mesmo com todas suas variantes.

De todos modos fica aqui a minha impressão e observação, que deixo para quem dirige o programa: aproveitem bem este cara que está guiando vocês pelas ruas gastronômicas por aí porque sei que ele conhece muito bem o que fala, e seria uma pena não perceber isto e perder esta oportunidade de levar um programa brasileiro de alta qualidade para todos. Entretenimento puro e simples tem de monte nos canais abertos por aí, e o que interessa neste caso é aprender um pouco sobre a diversidade na gastronomia.

Espero que eu esteja errado, e prometo revisar isto no próximo domingo, às 20h, pois esta foi somente a estréia e em geral as produções vão se afinando com o tempo. Assistam e comentem, vale muito a pena, e é uma excelente oportunidade para tentar uma opinião.

Dica rápida: + 1 app de receita para iPhone…

…mas ainda nenhum em português. Este foi desenvolvido pelo Epicurious, um site-blog muito interessante que eu sigo de vez em quando. Pode ser baixado de graça na iTunes Store. Dá prá criar receitas, pesquisar receitas, fazer lista de compras, etc etc, e prá seguir como cookbook na cozinha tb. Neste link diz tudo sobre ele. Mas… é em inglês.

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Crime da indústria: quem vende isto deveria ser preso!

Frango inteiro enlatado. Achei aqui. Vejam muito rápido (não olhem muito não), é a comida mais nojenta do universo. Quem vende isto deveria ser preso! Olhem só até onde vai a indústria alimentícia irresponsável nos dias de hoje, não é possível imaginar que alguém vende isto, e o pior, que alguém compra e come isto. E reparem que tem uma criança na foto esperando alguém acabar de fazer a ‘papinha’ prá ela!! No dia que algo assim chegar aos supermercados do Brasil espero que nós dos blogs possamos montar um ataque maciço e eficiente contra estas distorções da pós-modernidade alimentícia… Nheeeeeeeeeccccaaaaaaa…

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Meryl Streep interpreta Julia Child no cinema

Será lançado no próximo mês de agosto nos EUA o filme “Julie and Julia“, escrito e dirigido por Nora Ephron e com Meryl Streep no papel de Julia Child, a mais famosa apresentadora de culinária da TV americana dos anos 60, 70 e 80, que teve uma história interessante digna de cinema, escreveu vários livros, e que depois de sua morte descobriu-se que antes de cozinheira na TV ela tinha sido também espiã americana no pós-guerra (sobre Julia Child leia um pouco mais no meu post “Celebrities chefs – Who wants to be a millionaire?“).

Julia Child e Meryl Streep

Julia Child e Meryl Streep

O filme é uma história adaptada do cruzamento de dois livros: My Life in France, que é a autobiografia de Julia Child publicada após sua morte em 2004, e o livro homônimo Julie & Julia, escrito em 2005 por Julie Powell, uma ex-secretária americana que aos 30 anos de idade se sentia perdida e resolveu que queria mudar de vida (como ocorreu com Julia Child antes de se tornar apresentadora de TV).

Para isto em 2002 Julie bolou um projeto, decidiu que em 365 dias encararia em sua pequena cozinha as 524 receitas do livro de Child Mastering the Art of French Cooking (um best seller nos EUA publicado em dois volumes – 1961 e 1970 – e que introduziu na classe média americana à noção de que cozinhar bem era algo que deveria ser seguido, e seguido pelas técnicas básicas francesas).

Enquanto se aventurava preparando cada uma das receitas do livro de Julia Child, Julie Powell escrevia um blog, que 2 anos e meio mais tarde viraria seu livro, contando suas desventuras pela sua cozinha apertada. No fundo a cozinha apertada poderia ser também a sua vida. E esta possibilidade de virada na vida seguindo aquilo que mais se sabe e deseja fazer, é do que trata o filme. No trailer que você vê abaixo Julia Child se questiona “Eu não deveria encontrar alguma coisa para fazer?”, seu amigo lhe pergunta: “E o que é que você realmente gosta de fazer?”, e ela “Comer!”.

Por gostar de comer Child teve uma idéia e se tornou a cozinheira número 1 da América por vários anos, e por seguir suas receitas Powell teve uma idéia, escreveu um blog e vendeu milhares de livros pelo mundo afora. E agora tudo isto chega às telas de cinema. Claro que vou assistir.

Televisão com cheiro (prá quem não viu)..

Pois é, os japoneses estão desenvolvendo experimentalmente a televisão/web que transmite cheiros. Saiu no Fantástico deste último domingo, e eu só vi aqui no vídeo do youtube:

Mas na verdade isto já é uma idéia e projeto antigo. Este mesmo cientista japonês já foi noticiado em 2006 na BBC, e desde 1960 se fala em Smell-O-Vision, que foram as primeiras experiências com insuflamento de aromas em salas de cinema relativos às cenas dos filmes exibidos.

Particularmente eu acho isto muito interessante como uma possibilidade prá quem quer ter esta opção. Mas é um aparato complicado e acho que continuará sendo complicado mesmo daqui a alguns anos quando os japoneses reduzam isto à pequenos plugins e consoles de aromas em miniatura. E apesar de ser muito interessante, isto me parece uma daquelas coisas que: é possível de se fazer, vai dar prá comprar e tudo mais, mas vai acabar ficando obsoleto com o tempo simplesmente porque ninguem tá afins de ficar sentindo cheiros pelo computador, e principalmente os aromas de anúncios publicitários que é onde mais vão querer usar. Ou seja, para ocasiões específicas como uma aula de culinária online, pode ser bem legal, mas como algo integrado ao dia a dia do usuário web, acho que não rola mesmo. 

De qualquer forma claro que eu gostaria de experimentar um treco destes. Deve ser legal também para namorados à distância, que queiram transmitir o cheiro de suas camisetas. Urgh..

Açaí faz sucesso nos EUA com marketing trambiqueiro

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Açaí é brasileiro (foto Breno Peck no Flickr)

Matéria publicada na quarta-feira 11 no NYT e assinada por Abby Ellin, mostra o sucesso e o drama do marketing abusivo sobre o açaí nos EUA.

Nosso querido Açaí está fazendo um sucesso tremendo por lá. Diz a matéria que em 2008 foram introduzidos e licenciados nos EUA 33 novos produtos à base de açaí, contra apenas 4 em 2004, e que a venda de produtos à base de açaí alcançou a marca de 106 milhões de dólares no ano passado (imagino qual a ínfima porção desta grana é a parte dos produtores de açaí no Brasil perdido do norte). São produtos desde alimentícios até estéticos e rejuvenescedores, e é aí que está o problema.

produtos-de-acai2Os produtos à base de açaí estão sendo vendidos principalmente pela web, e prometidos como produtos “milagrosos”, como “a fruta misteriosa que vem da amazônia” e que vai fazer você emagrecer, rejuvenescer, e até remover suas rugas. E estão também usando desautorizadamente o nome de famosos para testemunhar e assinar os produtos, como a Oprah Winfrey. Mas agora a mídia e autoridades começaram a perceber que não há pesquisas que comprovem nada. Claro, não há mesmo. Mas um tal de Dr. Schauss afirma que o açaí é um excelente anti-oxidante e baseia-se em uma pesquisa que ele fez com… 12 pessoas.

Ou seja, vieram uns americanos prá cá, levaram a fruta prá lá, outros seguiram e fizeram o mesmo, e aí armaram uma fúria marketeira que a transformou em fruta milagrosa ao ampliar e exagerar o conceito de açaí que nós mesmos temos, e começaram a vender seus produtos pelo mesmo sistema que vendem as bombas para aumentar seus pênis ou as pilulas de viagra falsificadas. Enfim, na terra do Tio Sam o açaí virou trambique de malandro americano.

Na verdade a única coisa que se sabe sobre o açaí é o nosso hábito brasileiro com a fruta, que em sua maioria, nós aqui comemos açaí como algo que “substitui uma refeição”. Aqui no escritório mesmo tô cansado de ver a moçada que de vez em quando ao invés de “bater um rango, batem um açaí”. E tenho certeza que no norte e nordeste do Brasil, onde mais se consome a fruta, o açaí já deve ter “curado muita gente” e “salvado muito pai d’égua na hora da cama”, além disso mata a fome que é uma beleza.

Mas aqui a gente fica só nessa mesmo, crenças, sensações e múltiplos usos das energias da fruta, que sem dúvida é porreta mesmo. Mas lá, a coisa ainda vai acabar dando polícia, vai vendendo a imagem do Brasil curandeiro, e quem sabe, ainda não vai aparecer alguém requerendo patente sobre a fruta, como já fizeram no passado com o cupuaçu.

Vamos lá gente, vamos comer mais açaí prá combater o comércio desafinado destes gringos do trambique!

O mais divertido blog de gastronomia até agora

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Ontem recebi um email de uma amiga catalana, que é amante e expert da gastronomia, e que me recomendava o link do novo blog de David de Jorge, um chef basco que é ligado às mídias, mas que não é celebrity, talvez por ser muito autêntico, e que tem uma veia humorística saltante. 

David é autor de 2 livros, “A Cocinar: Las Mil y Una Recetas para la Cocina de Casa” e “Porca Memória – Recordações Gastronômicas de um Par de Suínos” (os dois vc acha no original espanhol aqui, e o segundo em português aqui, com uma matéria a respeito aqui). E segundo li no Luiz Horta ele já foi eleito o melhor da Espanha (não diz quando e nem em que situação, não captei se é sério ou piada também, mas deve ser piada porque está entre aspas (?)), tendo também trabalhado com Andoni Luiz e com o Berasategui em criações e afins.

Enfim, mas a coisa é que seu blog é muito interessante e tem um espírito ‘gordinho basco’ tremendo, um humor refinado e escrachado ao mesmo tempo, e com colaboradores à altura. Vale a pena uma visita e um bookmark por lá. Aqui na lista de recomendados ele já entrou. Divirta-se!

Gastronomia sensual no paraíso

chef-heaven-mariaUm programa criado recentemente e apresentado na TV de Santa Catarina ainda vai pular a cerca dos estados e virar nacional, é a minha aposta. O Heaven’s Kitchen, apresentado pela bela chef Heaven Maria, encontrou uma fórmula óbvia mas eficiente, a narrativa da sensualidade e erotismo na gastronomia. Com temas sobre ingredientes afrodisíacos (que na verdade quase todos tem alguma lenda afrodisíaca), sedução pela comida, muitas flores em sua cozinha e decotes provocantes, mas sem perder a linha da elegância “brilhante”, Heaven Maria é muito didática em suas receitas e tem charme para seduzir homens e mulheres, apoiado em seus grandes olhos expressivos e seu sotaque adquirido em longas viagens ao exterior.

Filha de português com francesa, a chef aprendeu culinária na Europa e comandou o bistrô Le Bon Vivant, dos pais, em Florianópolis, onde vivem atualmente. Veja toda sua história aqui no site da Guta Chaves.

Uma comparação:

Sempre achei o programas da Nigella de uma sensualidade tremenda. Claro que isto é em função da sua beleza cativante e seu charme pessoal, mas muito também em função do clima geral clean e ‘cozy’ do programa e principalmente das inúmeras tomadas em close. A Nigella não usa decotes provocantes e não parece que está te comendo com os olhos.

Já a Heaven, que também é bela, simpática e cativante, talvez precise de mais uns meses na TV e convivência com os descolados (como a Nigella) para se tornar mais assim, digamos, “power”. Por exemplo, suas tiradinhas por conta própria são ótimas, mas ainda um pouco tímidas na câmera. Porém ela está no caminho certo. A diferença é que seu programa declara mais alto “quero te seduzir”, e isto muitas vezes pode ser meio forçado numa relação de sedução. Como aprendemos nas nossas desventuras amorosas, é muito importante manter também um ar meio blazé de quem está seguro de si e não demonstrar muita sede ao pote. Por isto o programa tem umas brejerices de pétalas de rosa e perfumes no ar, que às vezes até funcionam, mas que são muito estereotipadas, hiper românticas, e que se passar do ponto viram bregas mesmo (como a primeira música de fundo – mas a da abertura é ótima). Mas me pareceu que ela sabe muito bem disso e que pouco a pouco não vai mais deixar a direção do programa exagerar. Ok, isto é tudo que tinha para falar de não positivo, mas de positivo tem muito. Além do que já falei acima, ela ainda tem o dom natural de segurar o programa com um diálogo sempre crescente com a audiência enquanto segue cozinhando direitinho. E olha, tem muito chef famoso por aí que tenta e não consegue manter esta tranquilidade, acabam se enrolando no ritmo do script ou se enrolando nas panelas – e nem disfarçam na edição! Já a Heaven não, ela não se enrola e ainda mantém a força.

Tudo bem, chega de papo, dêem uma olhada aqui em uma parte de um dos episódios. Neste ela está preparando uma salada grega com o seu toque bem legal…

Tem mais vídeos dela aqui.

Boa sorte Heaven! Aliás, que nome sedutor não? Não tem como não dar certo!

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O impacto do fechamento temporário do The Fat Duck

Só um comentário de algo que me chamou a atenção…

O segundo melhor restaurante do mundo pela Restaurant Magazine, o The Fat Duck do celebrity chef Heston Blumenthal, que fica em Berkshire nos arredores de Londres, foi fechado há uma semana por contaminação, e vai reabrir – leia mais aqui (em inglês), e aqui (em português). Chegaram a 400 as notificações de pessoas que de algum modo passaram mal depois de comer lá, na maioria diarréias ou vômitos, mas sem nenhum caso grave registrado.

As autoridades do assunto lá na Inglaterra estão fazendo todas as investigações para detectar qual foi o problema, sem descartar a possibilidade de sabotagem. O chef está obviamente fazendo tudo para que se encontrem as causas e já se prontificou a dar apoio à qualquer um que tenha passado mal depois de comer por lá. Tudo correndo nos conformes.

A questão é que uma semana de fechamento já gerou um prejuízo de cerca de 100 mil libras esterlinas à localidade de Berkshire, que são cerca de 337 mil reais. Este é o faturamento estimado das 500 reservas que até agora foram canceladas no restaurante. Parte deste dinheiro seria certamente gasta na localidade pelos funcionários do restaurante e outra parte investida nos produtos e insumos do restaurante comprados por lá, sem contar os impostos locais.  Quanta gente lá não vai sentir a falta de sua pequena parcela neste montante semanal para seus gastos e atividades cotidianas.

Isto mostra a importância do impacto econômico dos restaurantes na sua região, e a importância de se buscar a sustentabilidade na cadeia produtiva da gastronomia. Quando um elo da cadeia é extremamente protagonista, ele não pode falhar. Os grandes e mais famosos restaurantes geram um grande impacto econômico entre seus fornecedores e nas suas localidades, e têm que ter consciência disto. Claro que acidentes de percurso como estes ocorrem, e neste caso tenho certeza que o The Fat Duck é primoroso quanto à sua higiene, assim como a maioria dos bons restaurantes no mundo, mas quando algo assim ocorre muita gente sofre com isto. Não dá prá se ignorar.

O chef Blumenthal

O chef Blumenthal

Recipes videos are not boring anymore!!!

Comentário sobre Average Betty e Larica Total

Eu sempre achei vídeos de receitas e programas de receitas uma chatice só.  Como talvez vocês devem ter percebido pelos meus posts, minha área na gastronomia é a cultura geral e o que vem junto com ela, a sociedade, a mídia, e obviamente os sabores e ingredientes, mas as receitas, propriamente dito, não são para mim. Nas poucas vezes em que cozinho vou de instinto mesmo ou de coisas que vi fazerem, mas jamais penso em receita. Claro que não sou contra – não dá prá ser contra, e adoro quem consegue gostar mesmo de receitas, como fórmulas mágicas, mas é que não me afino muito com elas, devo ter déficit de atenção, ou algo parecido.

Mas voltando aos programas de receitas, tem um monte de programa chato por aí, e em geral eles são de dois tipos, ou os tradicionais para donas-de-casa, aqueles que passam de manhã ou à tarde na TV, tipo Ana Maria Braga ou Palmeirinha, ou então os gourmets finos e sofisticados, tão sedutores e inatingíveis como fúteis, como o insuportável Claude Troigros. 

Aí no meio termo ficam outros, mais normais e mais voltados à comunicar algo de verdade para o público de massa da TV, como o Allan Vila, mas que em geral acabam, por isto mesmo, ficando sem sal, meio toscos e …chatos.

Com a mudança causada pela web, finalmente surgiu vida no front. Algumas pessoas que enxergaram que receita é uma coisa chata prá muita gente, que a maioria quer aprender mas não consegue fixar atenção (ainda mais hoje em dia), quer comer bem mas não quer ter que assistir aulas de culinária para isso, enfim, gente normal e comum. E uma das boas maneiras de entreter e envolver a audiência é o humor, e juntar humor com culinária pode render excelentes pratos, frutos e audiência (veja meu post “celebrities chefs” a este respeito).

O Larica Total, do Paulo Tiefenthaler, que brilhantemente inventou o Paulo de Oliveira, e que todo mundo aqui já deve ter visto (certo?), é uma sátira bem humorada desta chatice toda, e que pela sua capacidade de traduzir perfeitamente o cidadão médio brasileiro e sua cozinha prá lá de “a mais comum do país”, é de um humor sagaz, meio escárnio e meio expressionista. Claro que não agrada a todos, pois a grande maioria ainda quer ver na TV aquilo que não tem em suas vidas, glamour, beleza e um ar de savoir faire. O programa dele parece tosco, mas é bom e não só engraçado não, é bom mesmo. Paulo foi um dos que mais conseguiu levar o novo “código social” da web 2.0 para a estrutura de um programa de TV com um tema que não é sobre vida digital e nem é um reality show. Não tem muitos programas assim na TV brasileira.

E tem a Average Betty, uma americana muito engraçada, que faz mais o tipo sátira-clown, e que foi muito feliz na narrativa geral de suas imagens e na estrutura de seus vídeos, intercalando receitas com umas sketchs bem divertidas que têm como fórmula a sátira ao americano médio através da personagem super típica, a Betty.  E seu canal no youtube está crescendo rápido. Repare em seu vídeo abaixo que a inserção da receita no episódio é só através de vários flashs curtíssimos durante a narrativa geral, instantaneidade total.

Uma grande diferença da Average Betty e do Paulo de Oliveira, é que as receitas da Betty são reais e podem ser preparadas mesmo, são sérias – ela deve ser realmente amante de cozinha, enquanto o Paulo é um ator e suas receitas não são na verdade receitas, e sim ironia de hábitos.

Ok, os programas de receitas podem realmente deixar de ser chatos quando são criativos, e aí podem conseguir atrair a atenção de seu público através de bons recursos de narrativa ou humor, mas no Brasil se você quiser mesmo aprender a preparar um prato específico, ou novas técnicas, infelizmente ninguém ainda colocou no ar uma solução legal, ou seja, você vai ter mesmo que continuar seguindo os programas existentes… e que por aqui ainda são só de dois tipos: aqueles fúteis para quem quer se achar gourmet ou aqueles chatos para donas-de-c……  ué já falei isto antes?

 

Divirta-se aqui com dois episódios que gostei:

AverageBetty e sugar cookies para o dia dos namorados (valentines por lá):


Larica Total e o sushi de feijoada (parte 2/2)…

…e aqui a parte 1 do sushi de feijoada, a hilária introdução do porquê ele decidiu fazer esta mistura.


Epicurean Tourist – webshow

Existem diversos programas de tv de culinária e de turismo com gastronomia, e centenas deles na web (contando só os profissionais, os amadores serão milhares). Mas que eu saiba este é o primeiro programa com boa qualidade profissional feito por negros, tendo negros como entrevistados e participantes (mas não só, há brancos também). E ainda, de quebra, é apresentado por uma moça muito simpática chamada Paige Simmons.

Falo do “Epicurean Tourist”, que descobri em seu canal no Foodtube.

É um programa alegre e descontraído em que a bela Paige viaja pelo mundo redescobrindo culturas através da gastronomia. E mostrando muito bem ao mundo que os negros da classe média estão consumindo gastronomia de qualidade tanto quanto os brancos da mesma classe. Estamos acostumados a encarar a gastronomia da cultura negra só como algo étnico, um tanto exótico, e de dificílimo consumo, quase que reservado à ocasiões prá lá de específicas ou quando se quer dar uma ‘pesquisada’. Mas na verdade este é mais um estereótipo que vai caindo por terra na era 2.0, pois lá nos EUA parece que eles estão consumindo igual aos brancos, e em tempos de Obama parece que isto vai aumentar ainda mais… ainda bem.

Congratulations Paige, you rule!

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

more about “Epicurean Tourist – webshow“, posted with vodpod

Vacas felizes são autóctones e têm nome

A Mimosa

A Mimosa (foto: publicenergy no flickr)

Nesta semana as vacas devem ter sido o assunto principal entre os pesquisadores britânicos.

Esta noticia da BBC Brasil, que é ótima para os amantes de animais e talvez ajude um pouco a consolar os veg-veg hiper-vegetarianos, diz que vacas que recebem um nome e são tratadas como indivíduos produzem mais leite, e são por isto obviamente mais felizes. O estudo é da Universidade de Newcastle, na Inglaterra, e diz que a produção anual de uma vaca pode aumentar em até 285 litros se ela for, digamos assim, considerada. Aqui pensando bem, acho que os nossos caipiras já sabiam disso faz tempo.

E esta outra notícia diz que um estudo da Universidade de Londres descobriu que as vacas têm sotaque regional ao mugir. Ou seja, mugem de um jeito aqui e de outro acolá. Um tal de professor John Wells, que investigou o assunto, disse: “Eu passo muito tempo com as minhas vacas, e definitivamente elas mugem com um sotaque de Somerset”.

É isto aí, cada vaca no seu quadrado…

Delícias Cantadas

Para quem não viu esta é uma fantástica série de 5 vídeo-receitas chamada “Delícias Cantadas – Minas Gerais”, no ar no Canal Futura desde dezembro, espalhados na grade entre um programa e outro.

São as cantoras gêmeas mineiras Célia & Celma, que cantam receitas da culinária de Minas Gerais em ritmos brasileiros variados, com uma produção bem original.

Vale muito a pena ver, é sensacional e é a nossa cara (quer dizer, aquela que a gente quase não se lembra mais que tem)…

 

Tutu à Mineira:

 

Canjiquinha:

 

Vaca Atolada:

 

Frango com Quiabo:

 

Bolo de Banana:

 

O que deveria é haver muito mais ‘canais futura’ e ‘tvs cultura’ na nossa televisão, pois tá bem difícil encontrar a nossa cultura refletida na programação das tvs de hoje…

 

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Cuisine concrète (?!)

Vivo tentando ligar gastronomia com os demais sentidos, estudo até comunicação experiencial há alguns anos (que não existe ainda conceitualmente), faço eventos de gastronomia e fico tentando imaginar cada vez mais como “fisgar” o público por todos os sentidos, enfim… e ainda por cima estas coisas viraram moda de 1 ou 2 anos prá cá e agora todo mundo fala um pouco disto, sensações, experiências, etc.

Eu estou começando a achar que na verdade é tudo bobagem, ou seja, não dá muito prá ir além do que a comida nos proporciona. Tive uma real experiência “hiper sensitiva” quando fui jantar no El Bulli, realmente fantástico, mas tudo bem, era só o palato reagindo, nada de “sensorialices”.

Um tim-tim com boas taças de cristal, um bom aroma da cozinha regional, uma soneca depois de uma bela feijoada, um bom papo à mesa e um prato feito por alguém que se ama, acho que é a isto que se resume os demais sentidos ao se falar em experiências sensoriais gastronômicas. Mas ainda estou pesquisando.

E aí, de repente, topo com este vídeo aí abaixo. Um casal de sevilhanos que inventou um concerto de “cuisine concrète”, com sons tirados dos utensílios durante o ato de cozinhar. Poderia até dar certo, talvez tenha faltado um bom músico, ou sei lá, talvez seja eu que não esteja muito ligado nestes sons bizarros mesmo. Mas o fato é que a coisa pode até ser interessante, neste caso aqui talvez mais pela invencionice do que pela mistura (afinal se a música for dura como esta o prato certamente não vai ficar bom), e ainda que bizarra esta parece ser uma performance artística séria da moça. Vale pela experiência de “alguém faz isto também”. Mas dêem uma olhada, se encontrarem algo que seja muuuiiito bom (o que eu não vi :), me avisem…

imagem-de-um-video

A página do vídeo está linkada na imagem acima (clique na foto), não deu prá inserir o vídeo diretamente aqui porque ele ficava ligando sozinho ao carregar o blog…