Rápida e importante

O Brasil é a bola da vez para a GM também. Investirá R$ 2 bi em suas plantas no país, e criará 1 mil empregos diretos. Isto quer dizer que para se criar 1 emprego direto na indústria automobilística deve-se investir R$ 2 milhões. Com 2 milhões de reais também é possível criar 1 centena de empregos diretos na indústria das sustentabilidades – energética, ambiental e social. Só prá lembrar. E divulgar.

Sem contar as ruas entupidas de carros.

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64% a favor da lei antifumo e 36% contra

Do total, 47% não fuma e quer a lei (são os que querem preservar seu direito de não ser fumante passivo),17% fuma e quer a lei (devem ser os que querem parar de fumar), do outro lado 24% não fuma e não quer a lei (ou seja são os ‘cada um na sua’ – que dão o direito ao fumante de fazer como quiser),  e 12% fuma e quer continuar fumando nos estabelecimentos públicos de SP – os que permitam.

Este é o resultado de 2 meses e meio de pesquisa aqui no blog. 34 pessoas votaram. Só? É, mas representam um segmento ativo que costuma tomar posição e defender, promover, etc. Pelo menos na teoria. E claro esta pesquisa era uma pesquisa simples, sem cortes a não ser ‘leitores do blog’.

Mas chega de pesquisas, por enquanto.

abs..

…e falando em Paris…

… saiu a lista de “jantares no céu” da capital francesa. Vocês já devem ter visto do que se trata, aquele grupo que organiza jantares pendurados em uma grua enorme que já passou por várias cidades da Europa e do mundo:

jantar no ceu

Pois é, a próxima parada é em Paris e a lista de jantares previstos traz chefs de primeira linha, entre eles Marc Veyrat, Pierre Gagnaire, Alain Passard e Fréderic Anton (veja a lista completa dos jantares aqui). Cada jantar custa cerca de 900 euros por pessoa, e dura em média 1 hora. Tudo bem que é uma experiência única na vida, mas será que dá prá sentir algum sabor quando se está pendurado por uma grua e com os pés balançando a dezenas de metros do chão? Bom, pelo menos parece ser divertido e com certeza inesquecível.

jantar no ceu 2

A série de Paris começa em setembro, e aqui neste link você tem todas as informações.

Estreou o novo programa de tv “O Guia”, do Josimar Melo

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Imagem tirada do site do programa

Estreou agora há pouco no canal National Geographic o programa “O Guia”, que vai ao ar todo domingo às 20h, onde o jornalista Josimar Melo viaja por diferentes lugares para mostrar curiosidades e aspectos interessantes da gastronomia.

Neste primeiro episódio Josimar vai à Paris. Começa visitando o quartel general do Guia Michelin e entrevista rapidamente seu diretor geral Jean-Luc Naret.  Sai e segue andando pela cidade provando comida de rua, tenta um kebab, depois um crepe e depois um pão com chocolate. Sempre tudo muito rápido. Para fechar o primeiro bloco, e o dia, uma cena para mostrar o crítico tomando um triplo de Calvados em um bar da cidade.

No segundo bloco ele vai visitar a boulangerie de Arnaud Delmontel, que foi eleita a melhor boulangerie de Paris em 2007, servindo assim durante este ano o presidente Sarkozy no Palais de l’Elysée. Novamente tudo muito rápido, e a edição do programa usou o pouco tempo que tinha na boulangerie para mostrar como o Delmontel é um entusiasta das mulheres brasileiras.

De lá ele foi visitar o 3 estrelas L’Arpége, do chef Alain Passard. Aqui havia a possibilidade de conteúdo inédito na TV brasileira pois Passard conseguiu suas estrelas servindo somente vegetais. Josimar cita isto mas não dá tempo de se aprofundar mais do que mostrar que os vegetais vêm de uma horta particular. Novamente tudo é muito rápido e ele salta então para o mais estrelado chef do mundo, o Alain Ducasse no Plaza Athénée. Mostra bem como o chef é cercado de assessores e, quando o chef aparece, eles fazem uma entrevista também rápida sobre crítica gastronômica, com só uma pergunta. Entram então na cozinha e Ducasse se despede. O chef Christophe Moret, que é quem executa nas panelas, lhe serve um fantástico menu degustação dentro do aquário do chef, um local privilegiado onde se pode controlar a cozinha e o restaurante por monitores. Josimar fala um pouco dos pratos, o que foi interessante, e repete algumas vezes que o tartufo branco é de Alba. Depois, em um único frame de menos de 1 segundo, mostra o salão do restaurante. Eles não queriam mostrar o salão mas tinham que fazê-lo pois era o acordo com a casa. Mas o salão do restaurante do Alain Ducasse também é interessante, não é?

Ok, esta foi uma descrição muito em síntese do conteúdo do primeiro episódio do programa, pois é claro houveram outros detalhes.

Mas para mim pareceu que no primeiro programa brasileiro de gastronomia que se produz com padrão internacional, para exportação mesmo, a ‘empreitada’ do programa desperdiçou uma boa oportunidade. Explico: Josimar tem um enorme conhecimento de enogastronomia, mostrou uma tranqüila desenvoltura diante das câmeras, está à vontade e descontraído e sabe sem titubear sobre o que está falando, pois este é seu mundo e ele tem um grande domínio do assunto (oras, independente de gostos e estilos, ele não conquistou seu reconhecimento na crítica gastronômica no Brasil à toa, e nem no exterior). Além disso a edição do programa é dinâmica, moderna e tem a qualidade de ressaltar algumas imagens interessantes, bons enquadramentos, etc. Mas meia hora para todo o conteúdo que eles quiseram mostrar é muito pouco, deu a impressão que ficou tudo muito rápido e superficial.

Um programa de meia hora na TV não pode seguir a fragmentação de conteúdo que a web impôs ao mundo hoje, deve deixar isto com a grade de programação do canal. Ou seja, tudo bem e é tendência que a TV passe a ter vários programetes curtos, como sabiamente começou a fazer a MTV, mas ao se tratar de um único programa, e de meia hora, o conteúdo dele deve ser preciso, certeiro, em cheio, completo, inteiro. Tem, por força, que ser uma narrativa de começo, meio e fim, e não necessariamente nesta ordem.

É interessante mostrar comida de rua de Paris, como é interessante mostrar a boulangerie premiada, como o guia Michelin, como o L’Arpège, como o Ducasse, e também como o Calvados em um bar qualquer, mas é muita coisa interessante junta em tão pouco tempo, sem que se aproveite bem nenhuma delas. Entendo que esta pode ser a proposta do programa, mostrar um monte de coisa e tentar fazer disto um show de entretenimento e nada mais, mas talvez neste caso o programa deveria estar em outro canal, para outro público, pois acho que esta linha não casa muito bem com o próprio National Geographic. Tenho a impressão que o público do canal pago aproveitaria mais o conhecimento do Josimar se o programa focasse em um ponto e pudesse ir fundo nele, mantendo como máximo uma outra história paralela ou uma recorrência de detalhes ou de personalidades, à escolha. É que a gastronomia por si só já é algo suficientemente interessante para que possa ser um entretenimento completo, além do que os contatos do Josimar, seu grande entendimento do assunto, e a possibilidade de dispor de uma estrutura de produção de alto padrão, permitem desvelar curiosidades realmente interessantes sobre o objeto principal do programa, ao invés de passar batido por cima de tudo, sem aproveitar a chance com os importantes entrevistados ou cozinhas visitadas.

Sua inspiração de programa talvez fosse o “No Reservations” do Anthony Bourdain, que vai fundo em um só tema a cada episódio. E além da descontração do Bourdain (que o Josimar também tem) este é o motivo de seu sucesso: você assiste e sempre aprende alguma coisa. Outra inspiração poderia ser o brilhante Michael Palin e suas várias séries sobre viagens outstandings, exibidos por décadas pela BBC. E aqui também a cada episódio, adivinhem… você também sempre aprende algo sobre um tema central, mesmo com todas suas variantes.

De todos modos fica aqui a minha impressão e observação, que deixo para quem dirige o programa: aproveitem bem este cara que está guiando vocês pelas ruas gastronômicas por aí porque sei que ele conhece muito bem o que fala, e seria uma pena não perceber isto e perder esta oportunidade de levar um programa brasileiro de alta qualidade para todos. Entretenimento puro e simples tem de monte nos canais abertos por aí, e o que interessa neste caso é aprender um pouco sobre a diversidade na gastronomia.

Espero que eu esteja errado, e prometo revisar isto no próximo domingo, às 20h, pois esta foi somente a estréia e em geral as produções vão se afinando com o tempo. Assistam e comentem, vale muito a pena, e é uma excelente oportunidade para tentar uma opinião.

Almoço da ABG

Alguns membros da Academia Brasileira de Gastronomia nos reunimos no último dia 17/06 para um almoço informal no restaurante Capim Santo em São Paulo, da chef Morena Leite (que acaba de ter uma filha -Parabéns Morena!), para conversar sobre o futuro da ABG.

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A ABG é uma entidade cultural e apolítica, formada por apreciadores e entendedores da culinária brasileira, não profissionais de cozinha nem empresários de restaurantes, que tem o único objetivo de preservar e promover a cultura gastronômica brasileira e suas características exclusivas e regionais. Somos membros da Academia Internacional de Gastronomia e assim como as demais Academias de diversos países temos diversos projetos de interesse para a gastronomia brasileira, que serão realizados a partir de 2010. Neste momento estamos em busca de apoios institucionais para a viabilização de uma série de atividades, que em seu tempo serão relatadas aqui e na mídia em geral.

E no fim de setembro teremos mais uma reunião internacional, desta vez na cidade de Sevilha durante o evento Andalucia Sabor, para assinar a criação da Academia Iberoamericana de Gastronomia junto às entidades irmãs dos países desta região, entidade que terá a finalidade de aproximar as ações realizadas em nosso continente com as Academias européias, pois estas, por serem mais antigas, têm uma maior presença em seus países.

Tendo mais interesse sobre a ABG nosso email é abgastronomia@gmail.com. Em breve postarei mais notícias sobre a ABG por aqui.

Almanara desde 1950 no mesmo lugar

No final dos anos 80 eu estudava arquitetura no Mackenzie e de vez em quando percorria o centro em busca de lugares desconhecidos para frequentar com amigos. Numa destas buscas encontramos o Almanara da rua Basílio da Gama e achamos que aquela tinha sido a descoberta do século. Claro, o restaurante só era desconhecido para mim e para meu grupo de amigos, pois naquela época o lugar já estava completando quase 40 anos de existência, mas mesmo assim achamos aquela “descoberta” genial. Sua arquitetura moderna, meio Artacho Jurado e meio Niemeyer, além da mesa farta de delicias árabes coloridas, faziam aquele um lugar perfeito. Pois é, e ele ainda está lá, (quase) intacto…

Hoje, 59 anos depois de sua inauguração, o Almanara do centro, o primeiro da rede árabe de mesmo nome, continua com a mesma cara, o mesmo jeitão e a mesma culinária.

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Só tem uma diferença, é que parece que os donos estão um pouco cansados. Eu explico.

É o único Almanara da rede que serve por preço fixo. Você tem a opção de rodizio ou a la carte. E até pouco tempo atrás (acho que faz uns 3 anos que eu não dava um pulo lá), você pedia por preço fixo, sentava e eles simplesmente enchiam a sua mesa com diversos pratos diferentes (aqui você vê o cardápio), sua mesa ficava colorida de delícias como homus e babaganuche, kibes crus, charutos de folha de uva ou de repolho, esfihas fantásticas, etc. E além de comer bem e ficar satisfeito com a quantidade e a qualidade, você saia de lá achando que tinha sido tratado como um rei, que o preço pago era justíssimo, e ainda por cima conseguia impressionar algum novo convidado que ainda não tivesse passado por lá.

Estive lá neste sábado e para minha triste surpresa o que eles chamam de rodízio passou a ser realmente um rodízio, esquema churrascaria. Você senta e de vez em quando,  muito de vez em quando, vem um garçon e te oferece uma esfiha, ou uns charutinhos, ou um kibezinho. E aí você come e fica esperando a próxima rodada sem idéia de quanto tempo vai levar para o santo garçon passar de novo. E o pior, sua mesa fica vazia o tempo todo, seu prato fica vazio e você fica lá, com cara de ansiedade, esperando chegar mais daquelas delicias que, isto sim, cotinuam muito boas.

É simples, os donos devem ter pensado – “oras, estamos desperdiçando muita comida, vamos servir só um pouco para cada um, o quanto eles quiserem, o que sobrar fica nas travessas e usamos no dia seguinte (pois)”. Não bastaria ter uma média do que se come por pessoa e servir uma mesa farta, mas na medida, para todos os clientes que pedirem por preço fixo? Mantendo assim a tradição da casa, o excelente marketing de deixar o cliente satisfeitíssimo com tudo, a maravilhosa imagem da mesa colorida, e o impagável prazer de se sentir um sultão comendo de tudo durante o tempo em que você está no restaurante? É a experiência completa que conta, mais do que somente o paladar, ainda não é óbvio isto prá todo mundo? Puxa vida, eu pensava que sim, que fosse óbvio para todos que são empresários de emprendimentos de porte como é o Almanara. Mas pelo visto muito treinamento empresarial ainda falta por aí, não?

De qualquer forma, eles têm um enorme mérito de ter mantido a casa intacta durante todas estas décadas, com um ambiente bem agradável, limpo, garçons atenciosos, e importante, boa qualidade culinária. O preço do rodízio é R$ 44 por pessoa, sem bebidas e sem sobremesa, não é mais barato como seria se a comida estivesse toda na mesa, e não é também a melhor comida árabe de São Paulo, mas tudo bem, certamente é boa o suficiente prá valer uma visita até o centro, e ainda vale.

E se você for lá, por favor, reforce a campanha que eles precisam voltar urgentemente a servir todos os pratos na mesa do cliente, ou eles rapidamente se tornarão um restaurante comum, outro qualquer, sem diferencial que não a arquitetura.

É isso aí!

O primeiro Almanara fica na rua Basílio da Gama, 70, República, centro de São Paulo, aqui na web e aqui no mapa.

Por que os italianos gostam de falar de comida?

Todo mundo sabe que a Itália e a França são os países da gastronomia por excelência, e que a Espanha atualmente não está muito atrás no quesito ‘exportação de cultura gastronômica”. E todo mundo sabe também que todos os países, sem exceção, têm suas culinárias típicas tão importantes para a sua cultura regional e nacional.

Mas é impressionante como os italianos têm na gastronomia um motivo de conversa a toda hora, em qualquer situação. De fato, na Itália as conversas sempre giram em torno de gastronomia, futebol, política, e por último na lista a igreja católica. Todos os outros assuntos vêm sempre depois. Muito mais do que na França.

Com o mesmo entusiasmo que torcem pelo Roma, Milan, Juventus ou Fiorentina, e que xingam o Berlusconi mesmo se votaram nele, a forma de preparar a polenta, as propriedades da pasta povera ou das pastieras, e a caponata da sua região, são temas de briga, discussões e ferrenho orgulho cidadão. A impressão que se tem é que mesmo antes de se aprender a somar 2+2 ou a localizar Roma no mapa as crianças italianas já sabem o que fazer com farinha, ovos e leite. Faça o teste, sente para almoçar ou jantar com mais de um italiano ao mesmo tempo e se em 5 minutos eles não tiverem trocado alguma receita ou feito uma comparação sobre o que estão comendo e como o mesmo prato é muito melhor preparado no vilarejo deles, é porque já estiveram discutindo isto um pouco antes durante o aperitivo. Pode apostar, não falha nunca.

Mas de onde vem isto? Como isto nasceu e por quê?

capa livro italianiA ensaista russa Elena Kostioukovitch, que é professora na Università degli Studi di Milano, foi pesquisar, e escreveu um excelente e completo livro sobre a gastronomia na Itália e seus diversos hábitos e costumes regionais, justificando a febre italiana por falar de comida. “Perché agli italiani piace parlare del cibo” é uma viagem por cada minuciosa qualidade gastrononômica de todos os pedacinhos da Itália, e a cada capítulo que escreve sobre uma região, escreve outro relacionando e vinculando a culinária local com os diversos hábitos gastronômicos universais. Fala das festas gastronômicas, dos ristoranti, dos pelegrinos, da democracia, da pizza, da felicidade, dos procedimentos, do óleo de oliva, risotos, etc etc etc, além da detalhadíssima culinária de cada uma das regiões da bota. É o livro mais completo sobre a gastronomia italiana acessível para nós mortais não estudiosos do assunto. Recomendo com 5 estrelinhas piscando ardentemente. Infelizmente acho que ainda não foi traduzido para o português.

Aqui na Livraria Cultura só tem em inglês, e aqui no Internet Book Shop tem o original em italiano e entregam no Brasil.

E aqui, a prova!! Numa engraçada sátira a eles mesmos, o ótimo Fiorello, famosíssimo TV star na Itália hoje em dia, leva a gastronomia à dramática efervescência da canzone napoletana: