A arte argumenta a favor do fumar

Descobri o blog Miopia depois que recebi a visita de seu autor Guilherme aqui no digeat, agora há pouco, e gostei.

Eu já parei de fumar, porque sim, faz mal mesmo, e agora fico só nuns charutos e bem de vez em quando, mas lá no Miopia encontrei poesia e inteligência na defesa do ato de fumar. Tem argumentos bons para todos os lados, queiram ou não.

Vi pessoalmente como a proibição de fumar nos locais públicos fechados na Europa funciona bem, e que os bares e restaurantes não mais cheiram a porões úmidos e defumados, porém ficaram também muito mais chatos, e no verão estão vazios – todos a fumar do lado de fora.

Agora este video aqui abaixo, que achei neste blog, me fez pensar na gigantesca importância do cigarro no mundo das artes. Engrosso o coro dos artistas e grito: liberem o cigarro nos ambientes de arte, tal como legitimamente reclamam agora os artistas de teatro sobre a nova lei. E eu apoio os artistas incondicionalmente: na arte não há limítes da moral, se a morte é filosofia, o cigarro também é.

E se proibissem também o medo, a dor ou as angústias, quão belos e vitais são estes terríveis males?

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Lei antifumo, corrupção e romantismo

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foto: dancerffm no flickr

Pois é, chegou a hora de encarar definitivamente a questão do fumo nos restaurantes e bares pois a nova lei estadual que proíbe fumar em todos os espaços coletivos fechados ou cobertos foi aprovada e prevê 3 meses de adaptação para os estabelecimentos. É válida ou não é válida esta lei?

É aquela história, parar de fumar é fácil, eu mesmo já parei várias vezes:), e estou precisando parar de novo. Mas uma lei não vai fazer ninguém parar com este terrível vício, e olha que sou contra o cigarro e prefiro que ninguém fume em lugar nenhum. Mas o problema não é este, é que tem um monte de gente que fuma porque fumar é um vício legalizado e os cigarros estão aí à venda em todos os lugares, e o governo, apesar de proibir a propaganda, não proibe a promoção e ainda  fatura uma grana preta com a venda de cigarros e tabacos em geral.

O correto então não seria proibir a fabricação e a venda de cigarros no país inteiro? E oferecer também tratamento gratuito eficiente para os tabagistas? E por que então não fazem isto? A resposta é simples, e está na quantidade de milhões de reais que a indútria de tabaco no país paga todo ano aos mais diversos políticos do congresso, das assembléias, das câmaras municipais e dos executivos por aí afora. E isto não é uma novidade não, todo mundo sabe disto. A indústria de tabaco tem lobistas profissionais altamente qualificados e que recebem altíssimos salários só prá fazer o convencimento e o pagamento ilegal aos legisladores e executivos que impactam o setor. Você é político e quer aumentar seu caixa? Basta soltar nos jornais que você é antifumo e que vai lutar para acabar com a venda do cigarro e automaticamente no dia seguinte alguém vai bater à sua porta com um punhado de milhões de reais prá te incentivar a calar a boca.

E o governador Serra tem só dois objetivos com esta lei, quer usar isso na sua campanha à presidência no ano que vem, mantendo a sua velhíssima linha “ministro da saúde”, e ainda vai prometer proibir o consumo no país todo, e talvez vá também prometer acabar com a indústria do tabaco (ainda que isto acho que ele não consegue porque seus pares politicos não vão querer perder esta “bocona”). E o seu objetivo número dois é justamente este, o enriquecimento de seu caixa partidário. Este país é culturalmente corrupto, e temos que ficar falando disto o tempo todo, tentando plantar esta mudança (muito) futura.

Mas mudando o foco e ficando no mesmo assunto, nesta semana fui a dois locais onde todo mundo fumava, e isto dava um certo ar romântico de velha Europa e de boemia cultural aos locais. Fui no bistrô La Tartine, na Fernando de Albuquerque, que eu adoro. O ambiente é total bistrô francês mesmo, ainda que o cardápio seja franco-marroquino. Vários estrangeiros nas mesas ao lado e todo mundo fumando tranquilamente, mesmo que houvesse alguém comendo na mesa ao lado. Dá prá ficar horas lá comendo, bebendo, fumando e batendo papo, numa boa. Ninguém se incomoda com nada. De quebra provei a porção de escargots deles, que fazia muito tempo que eu não comia, e que não estava lá estas coisas. Lá eu recomendo o cuzcuz marroquino, é claro, mas só servem na sexta. E só um aviso, o local tem área para não fumantes também.

Só 6?

Só 6?

E ontem fui no Teta Jazz Bar, na Cardeal Arcoverde, em frente ao portão do cemitério. É bar mas tem um cardápio muito bom. Comi umas fantásticas bruschetas de brie com pesto temperadas com mel, de verdade estavam maravilhosas. E ouvi um jazz muitíssimo bom do grupo Água Viva. E todo mundo estava fumando também, em todos os lugares, e todo mundo feliz. Ninguém reclamava.

Grupo Água Viva no Teta Jazz

Grupo Água Viva no Teta Jazz

É verdade que na Europa já proibiram o fumo em todos os bares, restaurantes e até mesmo em discotecas. Só que lá eles liberam as mesas nas calçadas e nas ruas durante o verão e a primavera, e os bares ficam lotados de gente fumando fora, e vazios dentro. Aqui não sei não, me dá um pouco a sensação que a coisa vai acabar igual à lei seca… ué, alguém ainda está falando desta lei hoje? E olha que fazem só alguns meses que ela foi implantada! No começo tinha fiscalização em todo lugar, virou polêmica, discussões intermináveis, e menos de um ano depois olha só, todo mundo bebendo tranquilamente e dirigindo seu carrinho prá casa, sem o menor problema. Pois é com o cigarro corre o risco de ser igual, algum infeliz dono de bar ou restaurante vai ter que pagar uma multa, vai sair em toda a mídia, vão arruinar o negócio dele, e depois de 2 ou 3 meses tudo acaba e todos voltam a fumar tranquilamente em suas mesas. Não sei não, vamos ver.

A única coisa certa aqui é que a campanha do Serra prá presidência começou na mídia agora com esta lei em São Paulo. E quem sofre com isto são os donos de restaurantes e bares. Estes, certamente vão votar na Dilma.  Gente do céu, será que ela ainda fuma?