Leia a posição da associação dos bares e restaurantes sobre a lei antifumo:

Hoje foi postado um comentário interessante no meu post do último dia 15 com o título “64% a favor da lei antifumo e 36% contra”, a respeito da pesquisa feita no blog sobre esta nova lei estadual.

O comentário postado é a posição oficial da Abresi, a associação do setor patronal de bares e restaurantes que abrange todo o país, e que está na justiça contra a nova lei estadual de São Paulo, representando a causa dos estabelecimentos para que haja espaços realmente isolados para fumantes e não-fumantes nos restaurantes e bares, ao invés da proibição total do fumo.

Por solicitação, reproduzo aqui abaixo na íntegra o comentário postado, e abro espaço para quem mais quiser postar a respeito, contra ou a favor!

Diz o texto:

A Abresi – Associação Brasileira de Gastronomia, Hospedagem e Turismo gostaria de cumprimentá-lo por estabelecer democraticamante o debate sobre a lei antifumo em seu blog.

Quanto à pesquisa, é bastante significativo o resultado de 36% de fumantes e não fumantes que são contrários à lei.

Desde o ínicio do processo legislativo da lei antifumo, a ABRESI – , e demais entidades patronais do setor se manifestaram favoravelmente à lei. Pois é!!!

Contudo, defendiamos apenas uma emenda ao projeto que contemplasse o verdadeiro “fumódromo” e não apenas áreas para fumantes e não fumantes. Porém, o governo do estado foi incensível aos nossos apelos e manifestações públicas com mais de 500 proprietários e trabalhadores do setor na Assembléia Legislativa do estado.

Defendiamos (e ainda defendemos, mas agora na justiça), áreas exclusivas para fumantes, separando os dois públicos em ambientes delimitados por barreiras físicas que impeçam a transposição da fumaça, dotando os espaços para fumantes de sistemas de exaustão.

Como você deve estar acompanhando, diversos estados estão adotando a idéia paulista, entretanto, a maioria tem aceitado nossa proposta, mais flexível.

Uma pesquisa do Instituto Getúlio Vargas demontrou que fumantes permancem mais tempo no interior de bares e restaurantes e, assim, seu gasto “per capita” é maior que o de não de não fumantes. Essa conclusão é elucidaditva no sentido de que haverá queda no faturamento e, consequentemente, reajuste de preços ao consumidor final e demissões.

É claro que existe o interesse comercial, pois sobrevivemos à partir dos nossos negócios. Investimos capital e geramos empregos em que as famílias dos nossos colaboradores dependem de nós. Todavia, há outra questão fundamental em jogo, de fundo político-ideológico (não de política partidária).

Nossas entidades acreditam que pessoas adultas devam ter liberdade de fazer suas próprias escolhas, sem que precisem ser tuteladas pelo Estado.

Entendemos que não precisamos de um Estado-babá nos dizendo o que fazer, o que comer, o que beber e assim por diante. Bastaria informar dos malefícios de determinada conduta em campanhas educativas e permanentes.

Pensamos que o arbítrio começa assim, com boas intenções colocadas de forma radical (sabe-se lá com que intenções) e quando percebemos, a sociedade é tolhida de seus mais comezinhos direitos individuais.

Apoiamos e defendemos sim, restrições a direitos que possam afetar terceiros, mas jamais seu banimento quando existem alternativas sensatas e democráticas para acomodar os interesses de todas as partes envolvidas.

Também não podemos concordar em sermos tranformados em fiscais de nossos clientes. Demoramos anos para cativar e formar uma clientela e depois temos de chamar a polícia para retirá-los de nossos estabelecimentos. O que é isso???

A lei ainda pretende jogar cidadão contra cidadão, ao formar uma tropa de dedos duros filmando e fotografando os “criminosos fumantes” em ação!!! Imagine o problema (e até tragédias) que isso poderá causar…..

Enio, aproveitando a oportunidade, solicito postar a mensagem do setor patronal e divulgar nossa opinião em seu blog. Abraços a todos.

O texto é assinado por Edson Pinto, diretor da Abresi. Obrigado Edson pela sua manifestação neste blog!

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64% a favor da lei antifumo e 36% contra

Do total, 47% não fuma e quer a lei (são os que querem preservar seu direito de não ser fumante passivo),17% fuma e quer a lei (devem ser os que querem parar de fumar), do outro lado 24% não fuma e não quer a lei (ou seja são os ‘cada um na sua’ – que dão o direito ao fumante de fazer como quiser),  e 12% fuma e quer continuar fumando nos estabelecimentos públicos de SP – os que permitam.

Este é o resultado de 2 meses e meio de pesquisa aqui no blog. 34 pessoas votaram. Só? É, mas representam um segmento ativo que costuma tomar posição e defender, promover, etc. Pelo menos na teoria. E claro esta pesquisa era uma pesquisa simples, sem cortes a não ser ‘leitores do blog’.

Mas chega de pesquisas, por enquanto.

abs..

Lei antifumo, corrupção e romantismo

non-smoking-area

foto: dancerffm no flickr

Pois é, chegou a hora de encarar definitivamente a questão do fumo nos restaurantes e bares pois a nova lei estadual que proíbe fumar em todos os espaços coletivos fechados ou cobertos foi aprovada e prevê 3 meses de adaptação para os estabelecimentos. É válida ou não é válida esta lei?

É aquela história, parar de fumar é fácil, eu mesmo já parei várias vezes:), e estou precisando parar de novo. Mas uma lei não vai fazer ninguém parar com este terrível vício, e olha que sou contra o cigarro e prefiro que ninguém fume em lugar nenhum. Mas o problema não é este, é que tem um monte de gente que fuma porque fumar é um vício legalizado e os cigarros estão aí à venda em todos os lugares, e o governo, apesar de proibir a propaganda, não proibe a promoção e ainda  fatura uma grana preta com a venda de cigarros e tabacos em geral.

O correto então não seria proibir a fabricação e a venda de cigarros no país inteiro? E oferecer também tratamento gratuito eficiente para os tabagistas? E por que então não fazem isto? A resposta é simples, e está na quantidade de milhões de reais que a indútria de tabaco no país paga todo ano aos mais diversos políticos do congresso, das assembléias, das câmaras municipais e dos executivos por aí afora. E isto não é uma novidade não, todo mundo sabe disto. A indústria de tabaco tem lobistas profissionais altamente qualificados e que recebem altíssimos salários só prá fazer o convencimento e o pagamento ilegal aos legisladores e executivos que impactam o setor. Você é político e quer aumentar seu caixa? Basta soltar nos jornais que você é antifumo e que vai lutar para acabar com a venda do cigarro e automaticamente no dia seguinte alguém vai bater à sua porta com um punhado de milhões de reais prá te incentivar a calar a boca.

E o governador Serra tem só dois objetivos com esta lei, quer usar isso na sua campanha à presidência no ano que vem, mantendo a sua velhíssima linha “ministro da saúde”, e ainda vai prometer proibir o consumo no país todo, e talvez vá também prometer acabar com a indústria do tabaco (ainda que isto acho que ele não consegue porque seus pares politicos não vão querer perder esta “bocona”). E o seu objetivo número dois é justamente este, o enriquecimento de seu caixa partidário. Este país é culturalmente corrupto, e temos que ficar falando disto o tempo todo, tentando plantar esta mudança (muito) futura.

Mas mudando o foco e ficando no mesmo assunto, nesta semana fui a dois locais onde todo mundo fumava, e isto dava um certo ar romântico de velha Europa e de boemia cultural aos locais. Fui no bistrô La Tartine, na Fernando de Albuquerque, que eu adoro. O ambiente é total bistrô francês mesmo, ainda que o cardápio seja franco-marroquino. Vários estrangeiros nas mesas ao lado e todo mundo fumando tranquilamente, mesmo que houvesse alguém comendo na mesa ao lado. Dá prá ficar horas lá comendo, bebendo, fumando e batendo papo, numa boa. Ninguém se incomoda com nada. De quebra provei a porção de escargots deles, que fazia muito tempo que eu não comia, e que não estava lá estas coisas. Lá eu recomendo o cuzcuz marroquino, é claro, mas só servem na sexta. E só um aviso, o local tem área para não fumantes também.

Só 6?

Só 6?

E ontem fui no Teta Jazz Bar, na Cardeal Arcoverde, em frente ao portão do cemitério. É bar mas tem um cardápio muito bom. Comi umas fantásticas bruschetas de brie com pesto temperadas com mel, de verdade estavam maravilhosas. E ouvi um jazz muitíssimo bom do grupo Água Viva. E todo mundo estava fumando também, em todos os lugares, e todo mundo feliz. Ninguém reclamava.

Grupo Água Viva no Teta Jazz

Grupo Água Viva no Teta Jazz

É verdade que na Europa já proibiram o fumo em todos os bares, restaurantes e até mesmo em discotecas. Só que lá eles liberam as mesas nas calçadas e nas ruas durante o verão e a primavera, e os bares ficam lotados de gente fumando fora, e vazios dentro. Aqui não sei não, me dá um pouco a sensação que a coisa vai acabar igual à lei seca… ué, alguém ainda está falando desta lei hoje? E olha que fazem só alguns meses que ela foi implantada! No começo tinha fiscalização em todo lugar, virou polêmica, discussões intermináveis, e menos de um ano depois olha só, todo mundo bebendo tranquilamente e dirigindo seu carrinho prá casa, sem o menor problema. Pois é com o cigarro corre o risco de ser igual, algum infeliz dono de bar ou restaurante vai ter que pagar uma multa, vai sair em toda a mídia, vão arruinar o negócio dele, e depois de 2 ou 3 meses tudo acaba e todos voltam a fumar tranquilamente em suas mesas. Não sei não, vamos ver.

A única coisa certa aqui é que a campanha do Serra prá presidência começou na mídia agora com esta lei em São Paulo. E quem sofre com isto são os donos de restaurantes e bares. Estes, certamente vão votar na Dilma.  Gente do céu, será que ela ainda fuma?