Estreou o novo programa de tv “O Guia”, do Josimar Melo

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Imagem tirada do site do programa

Estreou agora há pouco no canal National Geographic o programa “O Guia”, que vai ao ar todo domingo às 20h, onde o jornalista Josimar Melo viaja por diferentes lugares para mostrar curiosidades e aspectos interessantes da gastronomia.

Neste primeiro episódio Josimar vai à Paris. Começa visitando o quartel general do Guia Michelin e entrevista rapidamente seu diretor geral Jean-Luc Naret.  Sai e segue andando pela cidade provando comida de rua, tenta um kebab, depois um crepe e depois um pão com chocolate. Sempre tudo muito rápido. Para fechar o primeiro bloco, e o dia, uma cena para mostrar o crítico tomando um triplo de Calvados em um bar da cidade.

No segundo bloco ele vai visitar a boulangerie de Arnaud Delmontel, que foi eleita a melhor boulangerie de Paris em 2007, servindo assim durante este ano o presidente Sarkozy no Palais de l’Elysée. Novamente tudo muito rápido, e a edição do programa usou o pouco tempo que tinha na boulangerie para mostrar como o Delmontel é um entusiasta das mulheres brasileiras.

De lá ele foi visitar o 3 estrelas L’Arpége, do chef Alain Passard. Aqui havia a possibilidade de conteúdo inédito na TV brasileira pois Passard conseguiu suas estrelas servindo somente vegetais. Josimar cita isto mas não dá tempo de se aprofundar mais do que mostrar que os vegetais vêm de uma horta particular. Novamente tudo é muito rápido e ele salta então para o mais estrelado chef do mundo, o Alain Ducasse no Plaza Athénée. Mostra bem como o chef é cercado de assessores e, quando o chef aparece, eles fazem uma entrevista também rápida sobre crítica gastronômica, com só uma pergunta. Entram então na cozinha e Ducasse se despede. O chef Christophe Moret, que é quem executa nas panelas, lhe serve um fantástico menu degustação dentro do aquário do chef, um local privilegiado onde se pode controlar a cozinha e o restaurante por monitores. Josimar fala um pouco dos pratos, o que foi interessante, e repete algumas vezes que o tartufo branco é de Alba. Depois, em um único frame de menos de 1 segundo, mostra o salão do restaurante. Eles não queriam mostrar o salão mas tinham que fazê-lo pois era o acordo com a casa. Mas o salão do restaurante do Alain Ducasse também é interessante, não é?

Ok, esta foi uma descrição muito em síntese do conteúdo do primeiro episódio do programa, pois é claro houveram outros detalhes.

Mas para mim pareceu que no primeiro programa brasileiro de gastronomia que se produz com padrão internacional, para exportação mesmo, a ‘empreitada’ do programa desperdiçou uma boa oportunidade. Explico: Josimar tem um enorme conhecimento de enogastronomia, mostrou uma tranqüila desenvoltura diante das câmeras, está à vontade e descontraído e sabe sem titubear sobre o que está falando, pois este é seu mundo e ele tem um grande domínio do assunto (oras, independente de gostos e estilos, ele não conquistou seu reconhecimento na crítica gastronômica no Brasil à toa, e nem no exterior). Além disso a edição do programa é dinâmica, moderna e tem a qualidade de ressaltar algumas imagens interessantes, bons enquadramentos, etc. Mas meia hora para todo o conteúdo que eles quiseram mostrar é muito pouco, deu a impressão que ficou tudo muito rápido e superficial.

Um programa de meia hora na TV não pode seguir a fragmentação de conteúdo que a web impôs ao mundo hoje, deve deixar isto com a grade de programação do canal. Ou seja, tudo bem e é tendência que a TV passe a ter vários programetes curtos, como sabiamente começou a fazer a MTV, mas ao se tratar de um único programa, e de meia hora, o conteúdo dele deve ser preciso, certeiro, em cheio, completo, inteiro. Tem, por força, que ser uma narrativa de começo, meio e fim, e não necessariamente nesta ordem.

É interessante mostrar comida de rua de Paris, como é interessante mostrar a boulangerie premiada, como o guia Michelin, como o L’Arpège, como o Ducasse, e também como o Calvados em um bar qualquer, mas é muita coisa interessante junta em tão pouco tempo, sem que se aproveite bem nenhuma delas. Entendo que esta pode ser a proposta do programa, mostrar um monte de coisa e tentar fazer disto um show de entretenimento e nada mais, mas talvez neste caso o programa deveria estar em outro canal, para outro público, pois acho que esta linha não casa muito bem com o próprio National Geographic. Tenho a impressão que o público do canal pago aproveitaria mais o conhecimento do Josimar se o programa focasse em um ponto e pudesse ir fundo nele, mantendo como máximo uma outra história paralela ou uma recorrência de detalhes ou de personalidades, à escolha. É que a gastronomia por si só já é algo suficientemente interessante para que possa ser um entretenimento completo, além do que os contatos do Josimar, seu grande entendimento do assunto, e a possibilidade de dispor de uma estrutura de produção de alto padrão, permitem desvelar curiosidades realmente interessantes sobre o objeto principal do programa, ao invés de passar batido por cima de tudo, sem aproveitar a chance com os importantes entrevistados ou cozinhas visitadas.

Sua inspiração de programa talvez fosse o “No Reservations” do Anthony Bourdain, que vai fundo em um só tema a cada episódio. E além da descontração do Bourdain (que o Josimar também tem) este é o motivo de seu sucesso: você assiste e sempre aprende alguma coisa. Outra inspiração poderia ser o brilhante Michael Palin e suas várias séries sobre viagens outstandings, exibidos por décadas pela BBC. E aqui também a cada episódio, adivinhem… você também sempre aprende algo sobre um tema central, mesmo com todas suas variantes.

De todos modos fica aqui a minha impressão e observação, que deixo para quem dirige o programa: aproveitem bem este cara que está guiando vocês pelas ruas gastronômicas por aí porque sei que ele conhece muito bem o que fala, e seria uma pena não perceber isto e perder esta oportunidade de levar um programa brasileiro de alta qualidade para todos. Entretenimento puro e simples tem de monte nos canais abertos por aí, e o que interessa neste caso é aprender um pouco sobre a diversidade na gastronomia.

Espero que eu esteja errado, e prometo revisar isto no próximo domingo, às 20h, pois esta foi somente a estréia e em geral as produções vão se afinando com o tempo. Assistam e comentem, vale muito a pena, e é uma excelente oportunidade para tentar uma opinião.

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Gastronomia sensual no paraíso

chef-heaven-mariaUm programa criado recentemente e apresentado na TV de Santa Catarina ainda vai pular a cerca dos estados e virar nacional, é a minha aposta. O Heaven’s Kitchen, apresentado pela bela chef Heaven Maria, encontrou uma fórmula óbvia mas eficiente, a narrativa da sensualidade e erotismo na gastronomia. Com temas sobre ingredientes afrodisíacos (que na verdade quase todos tem alguma lenda afrodisíaca), sedução pela comida, muitas flores em sua cozinha e decotes provocantes, mas sem perder a linha da elegância “brilhante”, Heaven Maria é muito didática em suas receitas e tem charme para seduzir homens e mulheres, apoiado em seus grandes olhos expressivos e seu sotaque adquirido em longas viagens ao exterior.

Filha de português com francesa, a chef aprendeu culinária na Europa e comandou o bistrô Le Bon Vivant, dos pais, em Florianópolis, onde vivem atualmente. Veja toda sua história aqui no site da Guta Chaves.

Uma comparação:

Sempre achei o programas da Nigella de uma sensualidade tremenda. Claro que isto é em função da sua beleza cativante e seu charme pessoal, mas muito também em função do clima geral clean e ‘cozy’ do programa e principalmente das inúmeras tomadas em close. A Nigella não usa decotes provocantes e não parece que está te comendo com os olhos.

Já a Heaven, que também é bela, simpática e cativante, talvez precise de mais uns meses na TV e convivência com os descolados (como a Nigella) para se tornar mais assim, digamos, “power”. Por exemplo, suas tiradinhas por conta própria são ótimas, mas ainda um pouco tímidas na câmera. Porém ela está no caminho certo. A diferença é que seu programa declara mais alto “quero te seduzir”, e isto muitas vezes pode ser meio forçado numa relação de sedução. Como aprendemos nas nossas desventuras amorosas, é muito importante manter também um ar meio blazé de quem está seguro de si e não demonstrar muita sede ao pote. Por isto o programa tem umas brejerices de pétalas de rosa e perfumes no ar, que às vezes até funcionam, mas que são muito estereotipadas, hiper românticas, e que se passar do ponto viram bregas mesmo (como a primeira música de fundo – mas a da abertura é ótima). Mas me pareceu que ela sabe muito bem disso e que pouco a pouco não vai mais deixar a direção do programa exagerar. Ok, isto é tudo que tinha para falar de não positivo, mas de positivo tem muito. Além do que já falei acima, ela ainda tem o dom natural de segurar o programa com um diálogo sempre crescente com a audiência enquanto segue cozinhando direitinho. E olha, tem muito chef famoso por aí que tenta e não consegue manter esta tranquilidade, acabam se enrolando no ritmo do script ou se enrolando nas panelas – e nem disfarçam na edição! Já a Heaven não, ela não se enrola e ainda mantém a força.

Tudo bem, chega de papo, dêem uma olhada aqui em uma parte de um dos episódios. Neste ela está preparando uma salada grega com o seu toque bem legal…

Tem mais vídeos dela aqui.

Boa sorte Heaven! Aliás, que nome sedutor não? Não tem como não dar certo!

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