E falando em tv…

Aqui o programa No Reservations do Anthony Bourdain sobre São Paulo… (prá quem ainda não tinha visto). São 5 partes do mesmo episódio:

1/5:

E aqui os links para as outras 4 partes:  p2p3p4p5

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E só para finalizar o post anterior sobre O Guia na NatGeo, assisti agora o episódio 4 do Josimar em La Mancha, e depois o reprise do episódio 3, que ele segue as pistas do James Bond em Londres. Realmente pegou o ritmo, parece que vai melhorando a cada um, vale a pena assistir… (mas ainda não tá na web..)

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O Guia – ep2

Pic-nic na Normandia após a caça ao faisão

Pic-nic na Normandia após a caça ao faisão

Neste domingo cheguei atrasado para o episódio de Londres, liguei bem no finalzinho, quando estavam terminando uma entrevista do Josimar com a belíssima Nigella Lawson. Fiquei feliz em saber que ela continua lá, super charmosa, “me esperando”… é, eu teria me derretido com ela ao meu lado, certamente…  Mas enfim, de cara já vi algo novo no programa, e que gostei: uma história a ser contada! A busca pelos hábitos gastronômicos e etílicos de Ian Flemming e James Bond pelos locais de Londres dá sem dúvida uma bela história, e mais do que isso, une os passos do programa do começo ao fim. Só assisti o final deste episódio, mas gostei e quero assistí-lo inteiro.

Mas prá minha sorte logo após o término de um epísódio eles estão reprisando o episódio anterior, e pude então ver o o Josimar sair em busca de faisão, em Paris e na Normandia (que eu não tinha visto na semana passada). O epísódio é engraçado, nada dá certo, não se acham facilmente carnes de caças nos açougues de Paris porque estão proibidas para exibição em vitrine (segundo o que entendi). Eles ‘decidem’ então ir caçar e ao sair para o campo… não acham os faisões para abate, mas a produção se sai bem e saca um faisão reserva. No final montam um pic-nic tradicional no pós-caça onde, como todo bom francês, o primeiro a se alimentar é o cachorro, e manjam embutidos com vinho. Aí viajaram de volta rumo a Paris para entregar o faisão ao chef Yves Camdeborde, do bistrô Le Comptoir Relais St. Germain, provavelmente o bistrô mais famoso da cidade por oferecer boa gastronomia a preços acessíveis. Et voilá, uma receita tradicional francesa, uma espécie de tarte au choux, com foies gras e o faisão.

Este episódio marcou uma diferença em relação ao primeiro, pois em uma única história linear – a busca ao faisão, que é comentada e explicada o tempo todo, “O Guia” passou por uma rapida checada nos açougues de Paris, pela ida à Normandia para mostrar como caçam os franceses – inclusive mostrando claramente que a maior parte da carne de caça é na verdade criada (ainda que isto possa desiludir a românticos sonhadores), e então pela cozinha do famoso bistrô em Paris e a explicação sobre o prato tradicional. Antes disso, de quebra, chegando em Rouen ele ainda pode mostrar o La Couronne, dizem o mais velho hotel da França, de 1345, onde se come um tradicional pato seguindo a preservação de uma receita tradicional pela Associação dos Pateiros… é, lá tem isso.

Menos correria, mais informação, e mais divertido. Gostei mais do programa agora, que conseguiu também ensinar algumas coisas legais. Parabéns.

O Guia – no canal National Geographic – domingos às 20h.

Recipes videos are not boring anymore!!!

Comentário sobre Average Betty e Larica Total

Eu sempre achei vídeos de receitas e programas de receitas uma chatice só.  Como talvez vocês devem ter percebido pelos meus posts, minha área na gastronomia é a cultura geral e o que vem junto com ela, a sociedade, a mídia, e obviamente os sabores e ingredientes, mas as receitas, propriamente dito, não são para mim. Nas poucas vezes em que cozinho vou de instinto mesmo ou de coisas que vi fazerem, mas jamais penso em receita. Claro que não sou contra – não dá prá ser contra, e adoro quem consegue gostar mesmo de receitas, como fórmulas mágicas, mas é que não me afino muito com elas, devo ter déficit de atenção, ou algo parecido.

Mas voltando aos programas de receitas, tem um monte de programa chato por aí, e em geral eles são de dois tipos, ou os tradicionais para donas-de-casa, aqueles que passam de manhã ou à tarde na TV, tipo Ana Maria Braga ou Palmeirinha, ou então os gourmets finos e sofisticados, tão sedutores e inatingíveis como fúteis, como o insuportável Claude Troigros. 

Aí no meio termo ficam outros, mais normais e mais voltados à comunicar algo de verdade para o público de massa da TV, como o Allan Vila, mas que em geral acabam, por isto mesmo, ficando sem sal, meio toscos e …chatos.

Com a mudança causada pela web, finalmente surgiu vida no front. Algumas pessoas que enxergaram que receita é uma coisa chata prá muita gente, que a maioria quer aprender mas não consegue fixar atenção (ainda mais hoje em dia), quer comer bem mas não quer ter que assistir aulas de culinária para isso, enfim, gente normal e comum. E uma das boas maneiras de entreter e envolver a audiência é o humor, e juntar humor com culinária pode render excelentes pratos, frutos e audiência (veja meu post “celebrities chefs” a este respeito).

O Larica Total, do Paulo Tiefenthaler, que brilhantemente inventou o Paulo de Oliveira, e que todo mundo aqui já deve ter visto (certo?), é uma sátira bem humorada desta chatice toda, e que pela sua capacidade de traduzir perfeitamente o cidadão médio brasileiro e sua cozinha prá lá de “a mais comum do país”, é de um humor sagaz, meio escárnio e meio expressionista. Claro que não agrada a todos, pois a grande maioria ainda quer ver na TV aquilo que não tem em suas vidas, glamour, beleza e um ar de savoir faire. O programa dele parece tosco, mas é bom e não só engraçado não, é bom mesmo. Paulo foi um dos que mais conseguiu levar o novo “código social” da web 2.0 para a estrutura de um programa de TV com um tema que não é sobre vida digital e nem é um reality show. Não tem muitos programas assim na TV brasileira.

E tem a Average Betty, uma americana muito engraçada, que faz mais o tipo sátira-clown, e que foi muito feliz na narrativa geral de suas imagens e na estrutura de seus vídeos, intercalando receitas com umas sketchs bem divertidas que têm como fórmula a sátira ao americano médio através da personagem super típica, a Betty.  E seu canal no youtube está crescendo rápido. Repare em seu vídeo abaixo que a inserção da receita no episódio é só através de vários flashs curtíssimos durante a narrativa geral, instantaneidade total.

Uma grande diferença da Average Betty e do Paulo de Oliveira, é que as receitas da Betty são reais e podem ser preparadas mesmo, são sérias – ela deve ser realmente amante de cozinha, enquanto o Paulo é um ator e suas receitas não são na verdade receitas, e sim ironia de hábitos.

Ok, os programas de receitas podem realmente deixar de ser chatos quando são criativos, e aí podem conseguir atrair a atenção de seu público através de bons recursos de narrativa ou humor, mas no Brasil se você quiser mesmo aprender a preparar um prato específico, ou novas técnicas, infelizmente ninguém ainda colocou no ar uma solução legal, ou seja, você vai ter mesmo que continuar seguindo os programas existentes… e que por aqui ainda são só de dois tipos: aqueles fúteis para quem quer se achar gourmet ou aqueles chatos para donas-de-c……  ué já falei isto antes?

 

Divirta-se aqui com dois episódios que gostei:

AverageBetty e sugar cookies para o dia dos namorados (valentines por lá):


Larica Total e o sushi de feijoada (parte 2/2)…

…e aqui a parte 1 do sushi de feijoada, a hilária introdução do porquê ele decidiu fazer esta mistura.


Epicurean Tourist – webshow

Existem diversos programas de tv de culinária e de turismo com gastronomia, e centenas deles na web (contando só os profissionais, os amadores serão milhares). Mas que eu saiba este é o primeiro programa com boa qualidade profissional feito por negros, tendo negros como entrevistados e participantes (mas não só, há brancos também). E ainda, de quebra, é apresentado por uma moça muito simpática chamada Paige Simmons.

Falo do “Epicurean Tourist”, que descobri em seu canal no Foodtube.

É um programa alegre e descontraído em que a bela Paige viaja pelo mundo redescobrindo culturas através da gastronomia. E mostrando muito bem ao mundo que os negros da classe média estão consumindo gastronomia de qualidade tanto quanto os brancos da mesma classe. Estamos acostumados a encarar a gastronomia da cultura negra só como algo étnico, um tanto exótico, e de dificílimo consumo, quase que reservado à ocasiões prá lá de específicas ou quando se quer dar uma ‘pesquisada’. Mas na verdade este é mais um estereótipo que vai caindo por terra na era 2.0, pois lá nos EUA parece que eles estão consumindo igual aos brancos, e em tempos de Obama parece que isto vai aumentar ainda mais… ainda bem.

Congratulations Paige, you rule!

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

more about “Epicurean Tourist – webshow“, posted with vodpod

Celebrities chefs – Who wants to be a millionaire?

Pensando sobre um foco alternativo para minha tese em um master em comunicação, uma amiga sugeriu que eu falasse também sobre as novas celebridades da cozinha, os super chefs, famosos em todo o mundo e que arrecadam milhões de dólares com seus shows de TV e aparições trans-midiáticas. Talvez não vire tese, mas o assunto vale com certeza diversos comentários.

É impressionante como a glamourização da profissão de chef, que ocorre de forma bastante difundida já há no mínimo uns 15 anos, tomou hoje dimensões fora do comum. Hoje alguns chefs internacionais atingiram um tamanho grau de midiatização que anteriormente somente cantores e bandas de rock, atores ou jogadores de futebol conseguiam atingir.

Existem os cozinheiros que viraram famosos por suas estrelas Michelin e pela qualidade de suas inovações culinárias, e a partir daí passaram a freqüentar permanentemente a mídia especializada. Nada mais justo do que isto, faz parte da carreira e toda profissão tem os gênios que se destacam. Mas o fato é que a maioria das celebridades das panelas de hoje não têm um passado glorioso nas cozinhas de seus restaurantes, ao contrário, em alguns casos nem vêm desta área. A Inglaterra é um dos países onde mais este fenômeno se consolidou. Jamie Oliver, Gordon Ramsay e Nigella Lawson são hoje mais valiosos pelos seus salários milionários e merchandising pagos por redes de TV do que pelas suas qualidades culinárias, e também o Mario Batalli nos EUA. Até mesmo o chef Heston Blumenthal, que é reconhecido como um dos melhores chefs ingleses da atualidade e tem uma imagem muito boa entre seus pares e entre alguns dos gastrônomos mais influentes, também preferiu virar uma verdadeira celebridade mundial com seus shows na TV.

Algo de errado nisto? Não, nada de errado, pelo contrário, ajudam a promover a cultura da boa alimentação e de quebra fazem girar o mercado de gastronomia. E conseguem entreter (eu assisto). Mas como é que cozinheiros passaram a ser super stars da mídia tão idolatrados pelo público como são os rock stars, os atacantes artilheiros ou os filhos de hollywood?

Antigamente os programas de culinária eram dirigidos às donas de casa, afinal, na época, cozinheiro homem só em restaurantes. Lembram da Ofélia? Ficou famosa na TV já em 1958 no programa Revista Feminina da TV Tupi, mas seu maior sucesso veio com o Cozinha Maravilhosa da Ofélia, pela Bandeirantes em 1968.

Já um dos primeiros cooking shows da TV americana foi o The French Chef, da (lá) famosa Julia Child, que estreou em 1963. Ela esteve no ar com outros programas e series até 2000. Julia morreu em 2004 aos 92 anos de idade, e neste ano de 2008 tornou-se público que ela tinha sido uma espiã da OSS americana (pré-CIA) durante o pós-guerra, muito antes de virar famosa com sua culinária na TV. Wow, chef famosa na TV e espiã americana? Isto sim é que é uma fantasia completa!

Aqui Julia Child ensinando o preparo de perfeitos omeletes:

(E aqui no link Julia Child mais engraçada, brincando com frangos, em um video que não deu prá colocar no post.)


Os tempos mudaram, os homens agora adoram dizer que amam a cozinha e os restaurantes se sofisticaram e ficaram mais acessíveis à classe média, além disso a gastronomia virou um business rentável e considerado até por grandes grupos investidores. Na mídia, além do poder da TV de transformar seus personagens em ídolos populares, e do entretenimento ser a palavra de ordem nos caixas registradores dos grandes canais, a internet e todos os meios da new mídia construiram novas relações entre cidadãos e sociedade, e o indivíduo comum passou a ter acesso à formação de opinião, como neste e nos milhões de outros blogs por aí. Mesmo quem não vê os programas dos chefs na TV, agora vê ou fica sabendo pela web.

E querem fazer igual. Um simples passeio pelo You Tube traz algumas novas distorsões do fenômeno ‘chefs na TV’. Midiatização é o conceito que explica como a mídia interfere no comportamento do cidadão e este, através da sua audiência, interfere de volta na criação e programação de novos shows e séries. Tudo está interligado. Vejam por exemplo este senhor que está tentando filar seu bocado nesta onda, o The Poor Chef:

E aqui a sua infeliz criação latino-americana, exemplo do que foi dito acima:

E prá fechar, veja aqui o Jamie Oliver em um mix de cozinheiro, rapper-reggae, baterista, apresentador de TV e clown. Talvez seja uma das grandes demonstrações do super-pós-modernismo, reparem como a platéia não sabe muito bem como reagir. Entretenimento puro: ele resolveu cantar sua receita, o reggae é legal e o garotão está se divertindo de verdade. Isto é o que vale.

Após tudo isto fico pensando, será que tem ainda espaço para mais? Já não estamos começando a nos cansar desta permanente celebrização midiática dos chefs? Acho que se você olhar pelo lado do entretenimento e diversão, ainda vai rolar muita novidade por aí, pois por enquanto parece que ainda tem espaço para tudo, e até mesmo para alguns exageros…  O bom da história é que a gente agora pode escolher entre bons e ruins . E quem quiser, pode até tentar fazer igual. Mas se alguém aí for tentar, por favor preste atenção, não tá muito difícil melhorar os exemplos que andam rolando por aí… não é?